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  • Abstenção, o fantasma que ameaça as previsões para a eleição de domingo
    Feb 2 2026

    António José Seguro vive assombrado pelo drama da abstenção. Desde que a corrida pela segunda volta começou, o candidato tem feito sucessivos apelos à mobilização dos seus eleitores. Ter mais votos, significa mais legitimidade, disse. As sondagens, não ganham eleições, afirma e repete a cada passo. Com a sondagem do CESOP, da Universidade Católica, para o PÚBLICO/RTP e antena 1 a dar-lhe uma vitória de 70% contra o seu opositor, André Ventura, Seguro sabe que tem de enfrentar uma ameaça: a dos eleitores que ficam em casa por saberem que não vale a pena perder tempo a votar num candidato que já ganhou.

    Perante este cenário, uma das estratégias de André Ventura é colocar no ar dúvidas aos eleitores da direita moderada que de alguma forma se sentem inclinados para o seu adversário. O ataque às personalidades dessa área política que recomendaram o voto em Seguro é uma das faces dessa estratégia.

    A abstenção nas presidenciais é por regra superior à das legislativas. Na primeira volta, registou o valor mais baixo em 20 anos de eleições do Presidente da República – 47,65%. Em escolhas com vencedor antecipado, porém, como aconteceu com a segunda eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, a abstenção chegou aos 60,8%. Uma vez que este fenómeno tende a prejudicar mais o candidato favorecido nas sondagens do que o eleitorado mobilizado e fiel de Ventura, compreende-se a preocupação de Seguro e a estratégia do seu oponente.

    Vamos tentar perceber o que está em causa com os eventuais cenários da abstenção no próximo domingo. Convidámos assim para este episódio João António, Director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) e investigador no Centro de Investigação do Instituto de Estudo Políticos da mesma universidade.

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  • EUA ameaçam Irão, China alerta para o aventureirismo militar
    Jan 30 2026

    Os EUA enviaram para o Golfo Pérsico uma frota maior do que aquela que tinham enviado para a Venezuela, aquando do rapto de Nicolás Maduro. E o presidente dos EUA voltou a ameaçar o Irão e disse esperar que a república islâmica se sente à mesa para negociar um acordo sobre o seu programa nuclear.

    Os EUA querem que o Irão termine de vez com este programa nuclear (permitindo a entrada de peritos da ONU e dando a gestão do seu urânio enriquecido a um país terceiro), querem acabar com a capacidade iraniana de disparar mísseis de longo alcance e remover o seu líder supremo, Ali Khamenei.

    No início do mês, Trump mostrou-se disposto a intervir e disse que a “ajuda” estava “a caminho”, em resposta à repressão brutal das autoridades sobre os iranianos que participaram em manifestações em massa contra a liderança do país.

    Os EUA vão mesmo atacar o Irão? E se isso acontecer, que efeitos terá esse ataque na região e como reagirá a China? Pequim alertou contra o “aventureirismo militar” dos EUA. “O uso da força não resolve os problemas” disse o embaixador chinês na ONU.

    Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, é o convidado do P24 quando se fala do Irão.

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    15 Min.
  • Mais um fenómeno climático extremo a alertar-nos para as ameaças do futuro
    Jan 29 2026

    O país, em especial a zona oeste, está novamente de luto. Ventos com rajadas de 150 km hora, chuvas diluvianas durante horas voltaram a aparecer e a causar um dantesco rasto de destruição e perdas. Quem atravessasse a zona do histórico Pinhal de Leiria ontem de manhã podia ter uma ideia da tempestade que acontecera. Milhares de árvores tinham sido arrancadas do chão ou quebradas como se fossem palitos. A principal auto-estrada que liga as duas maiores cidades do país esteve encerrada e a circulação dos comboios em toda a extensão da Linha do Norte estava suspensa. Até ao final da tarde de ontem, centenas de milhares de portugueses continuavam sem electricidade. Concelhos como Leiria ou Pombal estavam mergulhados no caos. Pelo menos cinco mortos estavam confirmados.

    Há anos que as ciências do ambiente avisam para a multiplicação de fenómenos climáticos extremos como o da madrugada de terça-feira. Se a sua prevenção exige um esforço global que o cinismo do nosso tempo não parece tolerar, a obrigação de preparar a infra-estrutura básica do país para lhe resistir é cada vez mais indispensável. Quando a ligação entre duas cidades fica proibida, quando empresas têm de parar por falta de electricidade, quando os campos agrícolas inundam ou são devastados pelo excesso de água, todo o país sofre.

    Para sabermos o que está a ser feito para controlar esses danos e avaliar a resiliência do país a estes fenómenos, é preciso ouvir a engenharia. Foi esse o propósito do P24 de hoje, que convidou para este episódio Bento Aires, Presidente do Conselho Directivo Regional do Norte na Ordem dos Engenheiros. Bento Aires é também docente convidado da Porto Business School (PBS), onde desempenha ainda funções de coordenador de Programas Executivos.

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  • A Europa aposta no comércio global para travar a ameaça de Trump
    Jan 28 2026

    As palavras da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no final da ronda negocial encerrada esta semana com o governo indiano, em Nova Deli, ficam para memória futura: a parceria entre a segunda e a quarta maiores economias do mundo é a mãe de todos os acordos, disse Von der Leyen. Ao reduzir ou eliminar tarifas nas trocas comerciais entre estes blocos, cria-se uma lenda de dois gigantes apostados em defender o interesse mútuo através da negociação e do livre comércio. A mensagem, decisiva e clara, dirigia-se aos dois mil milhões de pessoas que na Europa e na Índia vão beneficiar do acordo. Mas dirigia-se também ao inquilino da Casa Branca que se tem empenhado em abolir ou destruir a ordem económica baseada no multilateralismo e no comércio global.

    Tanto como um interesse económico, o esforço da Europa para fechar processos negociais que duram há décadas envolve outras preocupações. Contra a geopolítica das esferas de influência, a União insiste na bondade do comércio livre com todos. Foi com base neste empenho que fechou o acordo com o Mercosul, que entretanto, os lobbies do Parlamento Europeu trataram de adiar por mais um ano, pelo menos. Foi também com base nessa visão, que conserva a ordem multilateral e global do Mundo, que fechou o acordo com a poderosa Índia.

    No futuro próximo, as exportações europeias para a Índia, que rondaram os 114 mil milhões de euros, poderão crescer mais 16 mil milhões, de acordo com uma estimativa do Allianz Bank​. Os carros europeus, que pagavam taxas de 110%, passarão a pagar 10% até um limite de 250 mil viaturas exportadas. E Portugal pode beneficiar, entre outras exportações, com a baixa de impostos alfandegários a máquinas e equipamentos ou aos vinhos.

    O que significa esta aceleração da Europa nas parcerias comerciais com blocos como o Mercosul ou potências emergentes como a Índia? Como situar estes acordos na crescente degradação da relação da Europa com os Estados Unidos? Será que a União Europeia luta por liderar a velha ordem multilateral contra as tentações hegemónicas dos Estados Unidos, China e Rússia?

    Rita Siza, jornalista e correspondente do PÚBLICO em Bruxelas, acompanha a par e passo a estratégia europeia neste novo mundo multipolarizado e incerto. A Rita tem uma longa carreira no acompanhamento das grandes mudanças tectónicas da política internacional. Antes de ir para Bruxelas, esteve anos em Washington como correspondente deste jornal.

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    17 Min.
  • EUA: “O Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Trump”
    Jan 27 2026

    Renee Good e Alex Pretti foram abatidos por agentes do ICE, a polícia que combate a imigração ilegal e que ocupou o Estado do Minesota, nos EUA. A primeira foi abatida por agentes que alegaram terem sido vítimas de atropelamento e o segundo, um enfermeiro dos cuidados intensivos de um hospital de veteranos, foi morto em suposta legítima defesa.

    A administração de Donald Trump foi rápida a classificar Renee Good e Alex Pretti como terroristas domésticos, mas os vários vídeos em circulação, e o trabalho dos media, desmentem estas acusações.

    Não é por acaso que isto acontece no Minesota, que tem sido destino de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir da década de 70, quando acolheu milhares de vietnamitas do Sul.

    Minneapolis não é das cidades dos EUA com mais imigrantes. Mas foi aqui que George Floyd foi asfixiado até à morte por um polícia, dando origem ao movimento Black Lives Matter, e este é o Estado governado por Tim Waltz, o candidato democrata à vice-presidência nas últimas eleições.

    É sobre tudo isto que iremos conversar com a convidada deste episódio. Daniela Melo, cientista política e professora da Universidade de Boston, nos EUA, fala na militarização das forças de segurança e diz que o “Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Donald Trump”.

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  • Vítimas de assédio no trabalho: sofrer em silêncio ou denunciar?
    Jan 26 2026

    No ano passado, a Autoridade para as Condições do Trabalho recebeu 3490 pedidos de intervenção em casos de assédio moral e sexual no local de trabalho, mas apenas aplicou 20 contraordenações durante aquele período. O que é que explica esta discrepância?

    Existe um abismo entre o número de queixas apresentadas e a realidade das relações laborais. E um grande desconhecimento quanto à sua dimensão. O último grande estudo sobre os vários tipos de assédio em contexto laboral data de 2016, ainda antes do movimento #MeToo.

    Segundo esse estudo, 16,5% da população activa dizia já ter sido vítima de assédio moral e 12,6% de assédio sexual no local de trabalho. As mulheres surgiam como principais vítimas de assédio moral e sexual, enquanto os homens eram mais vítimas de assédio moral do que sexual.

    O primeiro grande inquérito a nível mundial, desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2022, revelou que mais de uma em cada cinco pessoas empregadas sofrera violência e assédio no trabalho.

    E que, como é habitual, apenas metade das vítimas inquiridas falara com outra pessoa sobre o sucedido.

    Neste episódio falamos com Natália Faria, editora da secção de Sociedade do PÚBLICO e autora da notícia que hoje publicamos sobre este tema.

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  • Extrema-direita chegou tarde, mas cresceu rápido. Porquê?
    Jan 23 2026

    Durante muitos anos, Portugal esteve imune ao crescimento do populismo de extrema-direita, ao contrário do que acontecia em grande parte dos países da União Europeia. Mas bastaram seis anos para que o Chega de André Ventura passasse de um único deputado para segunda força parlamentar, em 2025. Os 60 deputados do Chega abalaram os alicerces do bipartidarismo, dado até aí como garantido.

    A primeira volta das eleições presidenciais consolidou o peso eleitoral de André Ventura, o segundo candidato mais votado, com uma percentagem de 23,52% que ficou muito à frente do candidato do PSD e do Governo, e que irá disputar a segunda volta com António José Seguro. O Chega combina nativismo, autoritarismo e uma xenofobia específica contra a comunidade cigana e o seu sucesso pode ser atribuído, entre outras causas, à activação de um eleitorado propenso à abstenção, à visibilidade do seu líder e à utilização das redes sociais.

    É o que defendem vários investigadores, portugueses e estrangeiros, que participam na obra colectiva Chega: The New Portuguese Far Right, publicada, recentemente, pela Routledge. Este livro conclui que a normalização mediática e política do Chega permitiu o seu crescimento entre um eleitorado moderado e atraiu militantes à procura de uma oportunidade na política.

    O convidado deste episódio é João Carvalho, o coordenador deste livro. Cientista político e investigador do Iscte, João Carvalho tem vindo a estudar os movimentos da extrema-direita europeia.

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  • O que a Operação Irmandade nos mostrou sobre o extremismo racista e da extrema-direita em Portugal
    Jan 22 2026

    Em Portugal, a acção de grupos associados a movimentos racistas ou nacionalistas da extrema-direita entrou definitivamente na ordem do dia e no centro da preocupação dos cidadãos e das autoridades. No seu substrato estão os discursos contra imigrantes e estrangeiros, o apego a um nacionalismo excludente e sectário e uma deriva religiosa, em especial contra os muçulmanos, que os situa na categoria dos fundamentalistas. Tudo feito nas cavernas da internet com doses industriais de violência e intimidação

    Aqui e ali, muitos destes grupos dirigidos por conhecidos militantes da extrema-direita, como Mário Machado, que está de novo na prisão, empenham-se em diversificar o seu programa de acção, que consiste em manifestações em datas relevantes, como o 25 de Abril, que a reportagem da SIC captou. Outras vezes, dedicam-se a agredir imigrantes ou a disseminar discurso de ódio. As autoridades dão conta que esse tipo de crime cresceu sete vezes desde 2019.

    A actividade destes grupos, não podia deixar de ser acompanhada pelas autoridades. Esta semana, a operação Irmandade mobilizou mais de 300 operacionais em buscas por todo o país e levou à detenção de 37 extremistas e a constituição de arguido de outros 17. Foram apreendidas armas e propaganda à ideologia fascista ou nazi. A prioridade da polícia judiciária é travar o crescimento destas redes. Porque os números trazidos por Luís Neves, director nacional da Polícia Judiciária, são alarmantes.

    Para avaliarmos o nível desta ameaça à segurança e às liberdades públicas em Portugal, convidámos para este episódio Cátia Moreira de Carvalho, doutorada em Psicologia e investigadora do fenómeno dos extremismos em vários projectos sedeados em universidades portuguesas e europeias.

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