• UE reforça presença na Groenlândia e acena com acordo na Otan; França diz desconhecer os detalhes
    Jan 23 2026
    Os europeus decidiram reforçar a presença na Groenlândia e indicaram que em breve deverá ser anunciado um acordo entre os Estados Unidos e os demais países da Otan. A decisão, tomada durante uma cúpula de emergência do Conselho Europeu, realizada na noite desta quinta-feira em Bruxelas, expôs a cautela europeia diante das iniciativas diplomáticas de Donald Trump. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, qualquer entendimento sobre a Groenlândia deve ocorrer no âmbito da aliança militar. O presidente americano já havia afirmado que tinha fechado um acordo com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que permitiria aos Estados Unidos 'acesso total' à ilha. Nesta sexta-feira (23), o ministro francês das Relações Exteriores, Jean‑Noël Barrot, disse não ter ainda detalhes do acordo, mas reiterou o apoio da França à soberania dinamarquesa e às autoridades groenlandesas, destacando que a Dinamarca é o principal ator das negociações. Barrot afirmou que poderá visitar a Groenlândia nas próximas semanas. De acordo com o jornal The New York Times, o acordo em discussão inclui a implementação de uma nova missão da Otan no Ártico, a atualização do acordo de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos para ampliar o acesso americano à Groenlândia, a construção de bases militares soberanas em partes do território para o desenvolvimento do sistema de defesa antimíssil dos EUA e restrições para impedir a exploração de terras raras por Rússia e China sob a camada de gelo da ilha. Mark Rutte afirmou que agora cabe aos altos comandantes da aliança trabalhar nos requisitos adicionais de segurança e que esse processo pode avançar rapidamente. Ursula von der Leyen também disse esperar divulgar um comunicado conjunto em breve. Tarifas e Conselho de Paz A crise envolvendo a Groenlândia também teve impacto direto nas relações comerciais. Com o avanço do acordo no âmbito da Otan, Trump recuou e derrubou as tarifas de 10% aplicadas aos países que enviaram tropas para a ilha. Diante desse gesto, o Conselho Europeu decidiu mudar o tom e avançar com a aprovação do acordo tarifário entre a União Europeia e os Estados Unidos, fechado no ano passado. O texto estava com a aprovação congelada no Parlamento Europeu após as ameaças de Trump, mas agora a tendência é que volte a tramitar. Outro tema sensível discutido na cúpula foi o Conselho de Paz lançado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. No evento, a Hungria foi o único país da União Europeia representado, por meio do primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado ideológico do presidente americano. A Itália também sinalizou que deve integrar o grupo, devido à proximidade da primeira-ministra Giorgia Meloni com Trump. Ainda assim, a maioria dos países europeus não aderiu à iniciativa. Em comunicado divulgado após a cúpula, o bloco deixou claro seu posicionamento. Segundo Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, os Estados-membros têm sérias dúvidas sobre diversos elementos da carta do Conselho de Paz de Trump, especialmente em relação à sua aplicação e à compatibilidade com a Carta da ONU. Mesmo assim, Costa afirmou que a União Europeia está disposta a trabalhar conjuntamente em um plano de paz para Gaza e nas negociações entre Rússia e Ucrânia. Acordo UE-Mercosul A reunião também trouxe sinalizações sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Apesar da expectativa de que o tema voltasse formalmente à pauta, o processo segue travado após o Parlamento Europeu decidir levar o acordo à justiça europeia, o que pode congelar a aprovação por até dois anos. Existe, porém, a possibilidade de a Comissão Europeia colocar em vigor de forma interina a parte comercial do tratado, mesmo sem a aprovação do Parlamento e sem uma decisão da Corte Europeia. Essa parte comercial é considerada a mais relevante, pois permitiria iniciar a redução das tarifas entre os dois blocos. Antonio Costa deixou claro que espera que a Comissão avance nessa direção. Ursula von der Leyen afirmou que ainda não há uma decisão tomada, mas indicou que, assim que um dos países do Mercosul concluir seus procedimentos internos de validação, a Comissão já terá uma posição definida e pronta para ser anunciada. O acordo, portanto, pode viver mais uma reviravolta nos próxim
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  • Conselho da Paz de Trump para Gaza: as expectativas de israelenses e palestinos
    Jan 22 2026
    O Conselho da Paz nasceu com foco no conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Mas, agora, é um projeto mais amplo e com metas ambiciosas defendido pela administração norte-americana. Especificamente na Faixa de Gaza, a Casa Branca afirma que o objetivo do Conselho da Paz é colocar em prática os 20 pontos do plano de Donald Trump que estabeleceu em outubro do ano passado o cessar-fogo entre Israel e Hamas. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Apesar de acusações de violações entre as partes e da fragilidade da situação, a guerra parou. O plano de Trump para a Faixa de Gaza tem metas importantes, como a desmilitarização do território, a retirada das tropas israelenses, a introdução de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza. Segundo uma fonte com a qual a RFI conversou, uma das principais dúvidas em Israel é em relação ao momento em que cada uma dessas metas passará a ser cumprida. Ou seja, se cada um desses passos será dado de forma escalonada - e em qual ordem - ou se todos eles vão ocorrer ao mesmo tempo. Arábia Saudita, Argentina, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Israel, Cazaquistão, Kosovo, Marrocos e Vietnã aceitaram o convite de Donald Trump para integrar a entidade. Segundo a Associated Press, um oficial da Casa Branca disse que a expectativa é que cerca de 30 países façam parte do Conselho. Até agora, cinquenta foram convidados pelos Estados Unidos. Palestinos e a expectativa sobre o governo de transição O Conselho da Paz tem como documento a cumprir o plano de 20 pontos de Trump. O item 19 do plano determina que "à medida que o processo de reconstrução de Gaza avança e o programa de reformas da Autoridade Palestina é implementado, as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho possível rumo à autodeterminação e à formação de um Estado palestino, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino". No item seguinte, os Estados Unidos se comprometem "a estabelecer um diálogo entre Israel e os palestinos para que concordem sobre um horizonte político para coexistência próspera e pacífica". A questão desses dois itens é que não há prazos para que eles aconteçam. Não há cronogramas específicos nem a divisão desses objetivos em metas mais palpáveis. Neste momento, a expectativa mais imediata da população em Gaza é sobre a atuação do governo de 15 tecnocratas palestinos que também é resultado do plano de Trump. Este governo de transição, que deverá substituir o Hamas na administração do território, será supervisionado pelo Conselho da Paz. No último domingo, famílias e clãs palestinos na Faixa de Gaza endossaram publicamente este governo de transição. A declaração de apoio ocorreu durante uma manifestação de solidariedade no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, na região central de Gaza. Uma da grandes questões que se apresenta ao Conselho da Paz é se ele será capaz de iniciar um movimento para desarmar o Hamas e, se isso acontecer, qual será a reação do grupo extremista palestino. Governo israelense e o dilema do convite de Trump A avaliação em Israel é similar a de boa parte da comunidade internacional; de que, por meio do Conselho da Paz, Trump está em busca de criar uma espécie de alternativa às Nações Unidas. De acordo com a imprensa local, o primeiro-ministro Netanyahu decidiu aceitar o convite para participar da entidade cerca de 24 horas antes do anúncio oficial sobre a criação do mecanismo em Davos, na Suíça. A decisão foi tomada após discussões intensas a partir de três pontos fundamentais: Rejeitar o convite poderia causar algum embaraço ao presidente Trump e levar Israel a não ter influência no Conselho da Paz. Agora, aceitar o convite - como de fato ocorreu - deixa claro que Israel vai sentar-se ao lado de Turquia, Catar e outros países com direito a voto em iguais condições para definir as decisões sobre o futuro da Faixa de Gaza e, no final das contas, sobre a segurança de Israel. Ou seja, na prática Israel legitima as presenças de países como Turquia e Catar que o governo israelense havia deixado claro que não poderiam fazer parte das decisões sobre o chamado "dia seguinte" em Gaza. Embora Israel tenha divulgado um comunicado público de que o país não foi consultado pelos EUA sobre os membros do Conselho da Paz, a informação da imprensa local é de que o texto foi redigido para servir como resposta interna aos membros da própria coalizão de governo, e não com o objetivo real de alterar as decisões do presidente Donald Trump.
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  • Disputa pela Groenlândia provoca a maior crise entre Estados Unidos e Europa em décadas
    Jan 21 2026
    Ameaças do presidente norte-americano, envio simbólico de tropas europeias e risco de guerra comercial transformam uma disputa territorial no Ártico em um teste existencial para a Otan e para a relação transatlântica. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A disputa em torno da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca no Ártico, deixou de ser um episódio excêntrico da diplomacia internacional para se tornar a maior crise entre Estados Unidos e Europa em décadas. O presidente norte-americano Donald Trump não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha, tida por ele como estratégica tanto do ponto de vista militar quanto econômico. Do outro lado, governos europeus e as autoridades locais da Groenlândia rejeitam qualquer negociação nesse sentido. As ameaças de Trump começaram ainda durante o seu primeiro mandato, em 2019, e ganharam força em seu retorno à Casa Branca. Na época, soavam como mais uma declaração exagerada. Os europeus, acostumados a dar respostas políticas e a evitar confrontos diretos com Washington, viram Trump intensificar os ataques. Já é possível dizer que esta é a maior crise diplomática entre os Estados Unidos e a Europa nas últimas décadas. O presidente americano passou a atacar publicamente líderes europeus, sugeriu que Emmanuel Macron pode deixar o poder em breve e divulgou mensagens privadas do presidente francês e do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Trump também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece fincando uma bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia e anunciou tarifas de 10% sobre países europeus que enviaram tropas para a região, com a ameaça de elevar a taxa para 25% caso não haja recuo até junho. Em meio a essa escalada, o presidente afirmou acreditar que Washington e a Otan chegarão a um acordo que satisfaça “ambos os lados”. Vale lembrar que os Estados Unidos e a maioria dos países europeus fazem parte da aliança militar e que essa crise já é vista como uma questão existencial para a Otan. A reação europeia Desta vez, os europeus finalmente subiram o tom. Durante muito tempo, o continente vinha fazendo vista grossa para as ações de Trump. Agora o cenário é outro, trata-se de uma ameaça direta a um território europeu. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a União Europeia não pode aceitar a “lei do mais forte” e cobrou respeito nas relações internacionais. Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, ele declarou que o bloco prefere estabilidade e crescimento, mas não à custa de intimidação. Nesta quarta-feira (21), Macron solicitou à Otan a realização de um exercício militar na Groenlândia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o episódio como um sinal de mudança “sísmica” na ordem internacional e garantiu que o bloco não hesitará em responder. A Dinamarca também adotou um tom duro. A primeira-ministra Mette Frederiksen descartou qualquer possibilidade de venda da ilha e afirmou que o continente não pode ignorar o risco de uma ação militar norte-americana. Discurso endossado pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que não descartou a possibilidade de uma incursão dos Estados Unidos e anunciou que o governo local começou a se preparar para esse cenário. Nos últimos dias, países europeus também enviaram pequenos contingentes militares à Groenlândia, em um gesto mais simbólico do que operacional. A Alemanha deslocou 13 soldados, a França 15, a Suécia três oficiais, Noruega e Finlândia dois cada, e a Holanda apenas um militar. A Dinamarca enviou cerca de 100. Segundo líderes europeus, esses primeiros envios têm como objetivo preparar exercícios militares conjuntos e planejar um reforço maior ao longo de 2026. A frente econômica Em Bruxelas, a questão também é tratada com muita seriedade no campo econômico. Trump já anunciou tarifas de 10% sobre todos os bens importados de países que enviaram tropas para a Groenlândia. A ameaça é elevar essa taxa para 25% se não houver recuo até junho. A resposta imediata da União Europeia foi congelar o acordo tarifário com os Estados Unidos, negociado no ano passado e que ainda precisava ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Os eurodeputados estão reunidos em Estrasburgo, e os líderes dos principais grupos políticos afirmam que há consenso para suspender a aprovação. Além disso, duas outras medidas estão sobre a mesa. A primeira é a retomada automática de tarifas contra € 93 bilhões em produtos americanos. Esse pacote estava apenas suspenso e pode entrar em vigor já no início de fevereiro. A segunda é o chamado Instrumento Anti-Coerção, apelidado de bazuca comercial. Ele permitiria à União Europeia limitar investimentos, contratos públicos e até serviços financeiros de países que usem o comércio como forma de pressão política. Um desgaste antigo A crise da ...
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  • Um ano de Trump 2.0: Casa Branca testa limites das leis e da ordem internacional
    Jan 20 2026
    Desde que voltou à Casa Branca, no dia 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tem avançado em temas como deportação em massa, tarifas comerciais e uma política externa que desafia os tratados internacionais. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York Em agosto de 2025, ao anunciar o envio de tropas federais a Chicago sob o argumento de combate ao crime, Trump resumiu sua visão de poder em uma frase que repercutiu mundialmente. Ele disse: “Eu tenho o direito de fazer qualquer coisa que eu quiser fazer. Eu sou o presidente dos Estados Unidos.” E esse poder que não conhece limites, virou um dos traços mais marcantes do chamado Trump 2.0. Com um Congresso a favor e uma equipe formada majoritariamente por aliados fiéis, o presidente americano tem encontrado poucas barreiras para pôr em prática seus planos para o país. A RFI separou alguns dos principais pontos que marcaram o início deste segundo mandato. Ofensiva contra a imigração No primeiro ano do segundo mandato, o presidente Donald Trump colocou em prática uma das políticas migratórias mais duras da história recente dos Estados Unidos. A promessa de campanha de “fechar” a fronteira sul foi cumprida. As detenções de pessoas atravessando a fronteira caíram ao nível mais baixo desde 1970, após o envio de forças armadas, a criação de novas zonas militares e o endurecimento extremo da fiscalização. Mas a repressão não ficou só na fronteira. No interior do país, operações migratórias provocaram prisões em massa, muitas delas de pessoas sem antecedentes criminais e, em alguns casos, até de cidadãos americanos. O governo diz ter deportado mais de 600 mil pessoas em 2025, número superior ao total dos quatro anos da gestão Biden. Trump também restringiu a imigração legal, reduziu a entrada de refugiados e impôs novas proibições de entrada para pessoas buscando residência, freando o processo de visto de 75 países. O impacto foi inédito. Em 2025, os Estados Unidos registraram migração líquida negativa pela primeira vez em mais de cinquenta anos. A política migratória e a estratégia de detenção do ICE (polícia de imigração) também alimentaram protestos, especialmente em Minneapolis, após a morte de uma cidadã americana durante uma operação. Para o segundo ano de mandato, dois pontos estão no radar quanto a políticas migratórias: a tentativa de acabar com o direito à cidadania por nascimento e a possibilidade de Trump invocar a Lei da Insurreição para ampliar ainda mais seus poderes. Tarifas como uma arma geopolítica No segundo mandato, o presidente Donald Trump transformou as tarifas em um instrumento central de pressão política e diplomática. Logo no início do ano, a Casa Branca impôs tarifas a parceiros estratégicos como China, Canadá e México. Muitas dessas medidas agora estão sob análise da Corte Suprema, que decidirá se o presidente extrapolou seus poderes constitucionais. Em abril, Trump anunciou o chamado “Liberation Day”, quando apresentou um plano de tarifas globais. Países das Américas passaram a enfrentar uma taxa básica de 10%, com ameaças de percentuais mais altos. Parte dessas tarifas foi adiada, mas acabou entrando em vigor em agosto. Nenhum país da região, porém, foi tão atingido quanto o Brasil. Em julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, citando o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida gerou forte tensão diplomática. Após contatos diretos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo encontros em eventos internacionais, o governo americano recuou parcialmente. Em novembro, produtos estratégicos como café e cacau ficaram fora das tarifas mais altas. No entanto, as tarifas voltaram a ser ativadas na disputa de Trump com os países membros da OTAN que demonstraram apoio à Dinamarca no atual conflito pelo controle da Groenlândia. O presidente americano anunciou que taxará em 10% cada um dos países que enviou tropas para ajudar na defesa da ilha frente a uma possível invasão americana. Obsessão pelo Nobel da Paz, não mais tanto pela paz Trump segue demonstrando interesse pelo Prêmio Nobel da Paz, mas suas ações internacionais apontam para uma política externa cada vez mais assertiva. Em setembro, ele assinou uma ordem executiva para tentar rebatizar o Departamento de Defesa como “Departamento da Guerra”. A confirmação dessa mudança ainda depende do Congresso, mas a iniciativa reforçou o tom simbólico do segundo mandato. No cenário internacional, o presidente Donald Trump combinou diplomacia seletiva com o uso direto da força. Ele se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin, participou de negociações que levaram à libertação de reféns e a um cessar-fogo parcial em Gaza, autorizou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e ordenou bombardeios contra o Irã. Promessas feitas durante a campanha, porém, não se concretizaram. Trump ...
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  • Eleição em Portugal: 2º turno entre socialista e ultradireitista confirma cenário ‘polarizado’, diz especialista
    Jan 19 2026
    Quase seis milhões de portugueses foram às urnas no domingo (18) para eleger o novo presidente de Portugal, sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que tomará posse no próximo dia 9 de março. O socialista António José Seguro e o ultradireitista André Ventura foram os candidatos mais votados e, como nenhum deles conseguiu 50% dos votos, os dois voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para o dia 8 de fevereiro. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa O primeiro turno das eleições presidenciais em Portugal foi marcado pelo elevado comparecimento dos eleitores às urnas e pela fragmentação do poder em um país dividido pelo voto. Com a ascensão da extrema direita em Portugal, o cenário político se polarizou e, no segundo turno — algo raro no país —, o confronto será entre dois campos políticos opostos. O socialista António José Seguro saiu na frente e obteve 31,1% dos votos. Em seu discurso de vitória no primeiro turno, Seguro disse que regressou para unir o país. “Jamais serei o presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte”, ressaltou. Seguro convidou “todos os humanistas e progressistas” a se juntarem a ele para “derrotar o extremismo” e quem semeia o ódio. Já o líder do Chega, o ultradireitista André Ventura, que conquistou 23,5% dos votos, afirmou que a direita havia ganhado as eleições porque os candidatos de direita que concorreram no primeiro turno receberam mais votos. “Agora é preciso agregar e juntar esforços para evitar um socialista em Belém”, declarou. O Palácio de Belém é a sede da Presidência da República em Lisboa. Quase um terço dos portugueses deixou para decidir o seu voto na semana final, nas eleições mais disputadas dos últimos tempos no país. A taxa de abstenção das eleições presidenciais foi de 47%, a mais baixa dos últimos quinze anos. É a primeira vez que Portugal elege um presidente com uma geração que não viveu o 25 de Abril de 1974 – data que marca o início da vida democrática no país depois de quatro décadas de ditadura. Transformação estrutural Para o pesquisador Luca Manucci, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e especialista em populismo e extrema direita, “os resultados destas eleições confirmam uma transformação estrutural do sistema político português: um espaço partidário hoje claramente mais fragmentado e polarizado”, diz. “O fato de o segundo turno voltar a ser necessário é, por si só, um indicador dessa mudança. Esse processo ocorre em um contexto em que a esquerda radical surge ainda mais enfraquecida, perdendo capacidade de estruturação do debate político. O cenário que se desenha remete diretamente às eleições presidenciais francesas, em que durante décadas a extrema direita chegou sistematicamente ao segundo turno para ser derrotada por um cordão sanitário mobilizado em torno do candidato adversário”, ressalta Manucci. “É plausível que André Ventura enfrente uma dinâmica semelhante, sendo derrotado por uma convergência de forças moderadas, como o que aconteceu com Jean-Marie e Marine Le Pen na França. Ainda assim, o percurso de Ventura é politicamente revelador: um político de estilo bolsonarista, ausente do panorama político nacional até 2019, que em poucos anos conseguiu reconfigurar o debate público. A rapidez com que a política portuguesa se ‘normalizou’ segundo padrões globais de sucesso da direita radical — rompendo com a ideia de excepcionalismo português — é, nesse sentido, particularmente notável”, salienta. Quem é André Ventura André Ventura cresceu em Mem Martins, um subúrbio de Sintra, na Grande Lisboa, que ele diz agora parecer a África por causa da imigração. Aos 42 anos, Ventura é o líder do Chega, partido de extrema direita que se define como “conservador, liberal e nacionalista” e que tem o discurso anti-imigração como um de seus principais alicerces. Ventura formou-se em Direito, deu aulas em duas universidades em Lisboa e também foi comentarista esportivo. Militante do PSD, o Partido Social Democrata, foi eleito vereador em Loures, subúrbio de Lisboa, em 2017, mas logo depois deixou o partido com o objetivo de formar uma nova força política. Enquanto na Europa vários países já conviviam com uma extrema direita consolidada, Portugal era exceção. Mas em 2019 tudo mudou com o aparecimento do Chega, e só foram precisos três anos para que o partido de extrema direita passasse a ser a terceira força política no país. Entre 2024 e 2025, o Chega teve uma ascensão meteórica e hoje é a segunda maior força na Assembleia da República (Parlamento português), com 60 deputados. O jornalista português Vítor Matos explica no Expresso que “era só preciso alguém sem pudor que quisesse estimular alguns pontos sensíveis e nunca explorados do eleitorado e dos abstencionistas: um racismo envergonhado, o ressentimento ...
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  • Incerteza política marca eleições mais polarizadas em Portugal das últimas décadas
    Jan 16 2026
    Portugal se prepara para eleger o novo presidente do país no domingo (18), em um cenário de incerteza política e sem maioria absoluta para nenhum dos 11 candidatos. Nos últimos 40 anos, o Partido Social Democrata e o Partido Socialista vêm se alternando no poder, mas com a ascensão do partido populista Chega, que se tornou a segunda força política do país, as perspectivas mudaram. Os brasileiros em Portugal com direito a voto tendem a priorizar os direitos dos imigrantes. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa A menos de 48 horas da abertura das urnas para a escolha do sucessor do social-democrata Marcelo Rebelo de Souza, que ocupou o cargo nos últimos dez anos, a disputa continua polarizada. Metade dos eleitores que já decidiram o seu voto admite mudar, o que faz com que estas eleições sejam as mais imprevisíveis dos últimos tempos em Portugal. A realização do segundo turno, em 8 de fevereiro, é quase certa – algo raro no país. Um terço dos portugueses ainda não decidiu o seu voto, mas cerca de 93% dos eleitores pretendem comparecer às urnas, em um país onde a participação não é obrigatória. Os cinco candidatos que mais se destacam nas sondagens são o da esquerda António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS); o populista André Ventura, líder do Chega, de extrema direita; Luís Marques Mendes, da coligação de centro-direita AD-PSD/CDS, entre o Partido Social Democrata e o Partido Popular; o neoliberal João Cotrim de Figueiredo, fundador da Iniciativa Liberal, e o almirante Henrique Gouveia e Melo, que concorre como independente. Desta vez, o número de candidatos para a corrida presidencial é um recorde para Portugal: são 11 candidatos oficiais. Com a dispersão de votos entre os concorrentes, será praticamente impossível alguém alcançar os 50% necessários para vencer no primeiro turno. De acordo com a última sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica Portuguesa, Seguro e Ventura estão em primeiro lugar nas intenções de voto, em uma disputa intensa pela liderança. Extrema direita se consolida em Portugal O tema da imigração ganhou destaque na campanha destas eleições e o líder ultradireitista André Ventura parece ter normalizado o seu discurso de ódio, quando usou a frase xenófoba “Isto não é Bangladesh” como um de seus slogans de campanha. “O Chega desempenha um papel central ao redefinir simbolicamente quem pertence à comunidade nacional, tendo como alvos explícitos as comunidades ciganas e, mais recentemente, migrantes do sul da Ásia, em particular oriundos de Bangladesh”, afirmou à RFI, Luca Manucci, pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e especialista em populismo e extrema direita. “O dado politicamente mais relevante, porém, é que a direita tradicional, em particular o PSD, longe de conter essa dinâmica, tem contribuído para a sua normalização, como ilustra a recente legislação sobre a nacionalidade. No contexto presidencial, isso não revela uma crise nas relações luso-brasileiras, mas sim a consolidação de um espaço político onde posições antes marginais da direita radical passam a integrar o debate dominante sobre imigração e identidade nacional”, analisa. De olho nos direitos dos imigrantes Os brasileiros com nacionalidade portuguesa que moram em Portugal, no Brasil ou qualquer outro país podem votar nas eleições presidenciais. Segundo o jornal português Público, “os brasileiros vão às urnas de olho nos direitos dos imigrantes”. A comunidade brasileira, que tem sido alvo de xenofobia em Portugal, deve votar em peso contra o Chega, partido anti-imigração. Neste pleito que está sendo considerado o mais emocionante desde a redemocratização do país, em 1974, o candidato socialista António José Seguro parece ser o favorito em um possível confronto no segundo turno contra o líder do Chega. “É interessante perceber que o André Ventura, embora tenha estado nas sondagens sempre em primeiro lugar e com uma ida ao segundo turno praticamente garantida, parece também ser o único candidato que, indo para o segundo turno, não seria eleito presidente, porque tem uma taxa de rejeição muito grande”, ressalta a ativista ambiental e tradutora portuguesa Ana Berhan. Desde 1986 não se tem uma disputa para eleger o chefe de Estado de Portugal em dois turnos. A última vez que isso aconteceu foi há 40 anos, nas eleições mais disputadas da democracia portuguesa, com vitória do socialista Mário Soares. Foi a primeira vez que um civil assumia o Palácio de Belém, sede do governo em Lisboa, após quase cinco décadas de ditadura militar e dez anos de transição democrática.
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  • Israel se prepara para eventual ataque do Irã, em caso de ação militar dos EUA no país
    Jan 15 2026
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descarta uma ação militar no Irã para pôr fim à repressão do regime aos protestos no país. Caso a ameaça americana se concretize, membros do alto escalão do governo iraniano prometem atacar Israel, que aguarda em estado de prontidão máxima. Em meio às tensões na região, Washington anunciou a transição para a segunda fase do acordo de estabilização na Faixa de Gaza. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel De acordo com a imprensa israelense, a avaliação das autoridades do país não é mais “se” o presidente Trump vai determinar uma ação, mas qual será, quando e com qual intensidade. Israel e EUA compartilham informações e, em Jerusalém, o governo deverá ser avisado horas antes da ação norte-americana, caso ela seja colocada em prática. Uma fonte do alto escalão israelense, citada de forma anônima pelo Canal 12, disse acreditar que a resposta do Irã dependerá do alcance do ataque norte-americano. Se for uma operação limitada, é possível que o Irã não ataque Israel. Mas uma ofensiva ampla provavelmente levará o regime iraniano a atacar o território israelense. O Irã buscaria também atingir alvos de Israel no exterior, como embaixadas e representações do país ou instituições das comunidades judaicas. O porta-voz do Exército de Israel, Effie Defrin, disse que as forças do país não têm intenção de atacar o Irã e que as manifestações são assunto interno iraniano. As mesmas declarações foram feitas pelo chefe do Estado-Maior do Exército, Eyal Zamir, que já participou de uma série de reuniões de atualização sobre os protestos e a repressão no país. Diversas personalidades do alto escalão iraniano têm repetido quase diariamente que atacarão Israel em caso de uma ação norte-americana. O Ministério da Saúde de Israel enviou aos hospitais uma circular de atualização sobre os procedimentos a serem adotados em caso de necessidade de transição da rotina para situação de emergência. O documento detalha as ações a serem tomadas, incluindo a transferência de pacientes para áreas protegidas. Uma fonte do hospital Sheba, em Tel Hashomer, o maior do país, confirmou o recebimento do documento e também disse que a rotina é normal até este momento. Segundo esta fonte, “o hospital está sempre preparado” para qualquer situação. Apoio a protestos Apesar do bloqueio da internet no Irã, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, recorreu à sua conta na plataforma X para culpar Israel pelas manifestações e pelas mortes. “Com sangue em nossas ruas, Israel se vangloria de ter armado manifestantes. Essa é a razão para as centenas de mortes”, acusou o ministro, sem apresentar provas. O ministro tampouco explicou os motivos que levaram o governo iraniano a cortar o acesso à internet. Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu orientou os membros do governo a evitarem manifestações públicas de apoio aos protestos e não oferecerem argumentos que possam alimentar a narrativa do regime iraniano de interferência externa e, dessa forma, esvaziar a legitimidade do movimento. “Sofremos com a falta de água e apagões diários. O regime culpa o aquecimento global e nossos ‘inimigos’. A realidade é que estamos sofrendo por causa da corrupção e da péssima gestão de um regime que não tem a menor ideia de como administrar um país, e ainda assim é especialista em exportar terrorismo e fornecer mísseis e armas a grupos aliados”, disse uma jovem iraniana, que pediu para não ser identificada. Em Israel, na noite de quarta-feira, cerca de 500 pessoas se reuniram em Holon, na região central do país, para demonstrar solidariedade aos manifestantes iranianos. “Em 2022, vimos a forma como o regime trata as mulheres. Agora, vemos como o regime trata com violência todos os que se manifestam. Chegou a hora de dar um fim a isso”, diz a atriz Sogand Fakheri, que deixou o Irã em 2007 e desde então vive em Israel. Segundo o canal de oposição Iran International, baseado em Londres, no Reino Unido, o número de mortos pelas forças de segurança iranianas já chegou a 12 mil. As autoridades israelenses consideram que esse número pode variar entre 4 mil e 5 mil. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, sigla em inglês), sediada nos Estados Unidos, relata 2 mil mortos, mesmo número citado por um oficial iraniano, de acordo com a agência Reuters. Segunda fase do cessar-fogo em Gaza O enviado americano para o conflito em Gaza, Steve Witkoff, anunciou a transição para pôr fim ao conflito que, de forma ampla e segundo o plano de 20 pontos anunciado por Donald Trump, deverá incluir a desmilitarização do território e o desarmamento do Hamas, a formação de um governo tecnocrático, a chegada de uma Força Internacional de Estabilização e a reconstrução da Faixa de Gaza. Houve também a divulgação dos 15 ...
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  • Groenlândia rejeita proposta de Trump e diz ‘não estar à venda’ antes de reunião tensa em Washington
    Jan 14 2026

    O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou publicamente qualquer possibilidade de vender o território aos Estados Unidos às vésperas de uma reunião de alto nível em Washington. Em entrevista coletiva ao lado da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, em Copenhague, Nielsen afirmou que “falar em comprar outro povo é desrespeitoso” e reforçou que os groenlandeses “escolhem a Dinamarca”.

    Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

    A declaração ocorre antes do encontro marcado para quarta-feira (14) na Casa Branca entre a chanceler da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

    A reunião foi solicitada por Rasmussen após o endurecimento do discurso do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da ilha.

    O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que Groenlândia e Dinamarca atuarão de forma conjunta: “Entramos juntos na sala, saímos juntos e falamos com os americanos juntos”. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também destacou a unidade entre os dois governos e disse que enfrentar “pressões inaceitáveis de aliados históricos” não tem sido fácil, acrescentando que “o mais difícil pode estar por vir”.

    A presença do vice-presidente JD Vance no encontro elevou o nível político da reunião, que será realizada na Casa Branca. Segundo Rasmussen, Vance solicitou participar e vai presidir o encontro. Após reunião entre Nielsen e Frederiksen, os dois líderes reiteraram que manterão posição unificada diante dos Estados Unidos.

    Trump insiste em "garantir a Groenlândia"

    Donald Trump tem repetido publicamente o desejo de adquirir a Groenlândia, território semi-autônomo sob soberania dinamarquesa, classificando a iniciativa como um “imperativo estratégico”. No domingo (11), afirmou que “se os Estados Unidos não tomarem a Groenlândia, Rússia ou China tomarão”, e disse que pretende garantir o controle da ilha “de um jeito ou de outro”. Na semana passada, declarou que prefere “o jeito fácil”, comprando o território, mas não descartou o “jeito difícil”, incluindo pressão extrema e até ação militar.

    O presidente americano também afirmou que garantir a Groenlândia é essencial para a segurança dos Estados Unidos, citando a presença russa e chinesa no Ártico. Governos nórdicos, no entanto, rejeitam a alegação de que navios chineses e russos estejam operando em águas próximas à Groenlândia de forma ameaçadora.

    A crise também chegou ao Reino Unido. Em Londres, a ministra de Negócios e Energia da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, pediu ao governo britânico que “ouse ter princípios” e ajude a ilha a resistir às pressões de Trump. Em um briefing com parlamentares britânicos, Nathanielsen defendeu que os conflitos sejam resolvidos por meio do diálogo e do respeito ao direito internacional, e não pela força.

    Ela agradeceu publicamente o apoio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pediu que o Reino Unido insista na defesa do direito internacional e na relevância da Otan. Starmer já declarou que o futuro da Groenlândia deve ser decidido apenas pela Dinamarca e pelos groenlandeses.

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