Conselho da Paz de Trump para Gaza: as expectativas de israelenses e palestinos Titelbild

Conselho da Paz de Trump para Gaza: as expectativas de israelenses e palestinos

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O Conselho da Paz nasceu com foco no conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Mas, agora, é um projeto mais amplo e com metas ambiciosas defendido pela administração norte-americana. Especificamente na Faixa de Gaza, a Casa Branca afirma que o objetivo do Conselho da Paz é colocar em prática os 20 pontos do plano de Donald Trump que estabeleceu em outubro do ano passado o cessar-fogo entre Israel e Hamas. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Apesar de acusações de violações entre as partes e da fragilidade da situação, a guerra parou. O plano de Trump para a Faixa de Gaza tem metas importantes, como a desmilitarização do território, a retirada das tropas israelenses, a introdução de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), o desarmamento do Hamas e a reconstrução de Gaza. Segundo uma fonte com a qual a RFI conversou, uma das principais dúvidas em Israel é em relação ao momento em que cada uma dessas metas passará a ser cumprida. Ou seja, se cada um desses passos será dado de forma escalonada - e em qual ordem - ou se todos eles vão ocorrer ao mesmo tempo. Arábia Saudita, Argentina, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Israel, Cazaquistão, Kosovo, Marrocos e Vietnã aceitaram o convite de Donald Trump para integrar a entidade. Segundo a Associated Press, um oficial da Casa Branca disse que a expectativa é que cerca de 30 países façam parte do Conselho. Até agora, cinquenta foram convidados pelos Estados Unidos. Palestinos e a expectativa sobre o governo de transição O Conselho da Paz tem como documento a cumprir o plano de 20 pontos de Trump. O item 19 do plano determina que "à medida que o processo de reconstrução de Gaza avança e o programa de reformas da Autoridade Palestina é implementado, as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho possível rumo à autodeterminação e à formação de um Estado palestino, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino". No item seguinte, os Estados Unidos se comprometem "a estabelecer um diálogo entre Israel e os palestinos para que concordem sobre um horizonte político para coexistência próspera e pacífica". A questão desses dois itens é que não há prazos para que eles aconteçam. Não há cronogramas específicos nem a divisão desses objetivos em metas mais palpáveis. Neste momento, a expectativa mais imediata da população em Gaza é sobre a atuação do governo de 15 tecnocratas palestinos que também é resultado do plano de Trump. Este governo de transição, que deverá substituir o Hamas na administração do território, será supervisionado pelo Conselho da Paz. No último domingo, famílias e clãs palestinos na Faixa de Gaza endossaram publicamente este governo de transição. A declaração de apoio ocorreu durante uma manifestação de solidariedade no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, na região central de Gaza. Uma da grandes questões que se apresenta ao Conselho da Paz é se ele será capaz de iniciar um movimento para desarmar o Hamas e, se isso acontecer, qual será a reação do grupo extremista palestino. Governo israelense e o dilema do convite de Trump A avaliação em Israel é similar a de boa parte da comunidade internacional; de que, por meio do Conselho da Paz, Trump está em busca de criar uma espécie de alternativa às Nações Unidas. De acordo com a imprensa local, o primeiro-ministro Netanyahu decidiu aceitar o convite para participar da entidade cerca de 24 horas antes do anúncio oficial sobre a criação do mecanismo em Davos, na Suíça. A decisão foi tomada após discussões intensas a partir de três pontos fundamentais: Rejeitar o convite poderia causar algum embaraço ao presidente Trump e levar Israel a não ter influência no Conselho da Paz. Agora, aceitar o convite - como de fato ocorreu - deixa claro que Israel vai sentar-se ao lado de Turquia, Catar e outros países com direito a voto em iguais condições para definir as decisões sobre o futuro da Faixa de Gaza e, no final das contas, sobre a segurança de Israel. Ou seja, na prática Israel legitima as presenças de países como Turquia e Catar que o governo israelense havia deixado claro que não poderiam fazer parte das decisões sobre o chamado "dia seguinte" em Gaza. Embora Israel tenha divulgado um comunicado público de que o país não foi consultado pelos EUA sobre os membros do Conselho da Paz, a informação da imprensa local é de que o texto foi redigido para servir como resposta interna aos membros da própria coalizão de governo, e não com o objetivo real de alterar as decisões do presidente Donald Trump.
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