Disputa pela Groenlândia provoca a maior crise entre Estados Unidos e Europa em décadas Titelbild

Disputa pela Groenlândia provoca a maior crise entre Estados Unidos e Europa em décadas

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Ameaças do presidente norte-americano, envio simbólico de tropas europeias e risco de guerra comercial transformam uma disputa territorial no Ártico em um teste existencial para a Otan e para a relação transatlântica. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A disputa em torno da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca no Ártico, deixou de ser um episódio excêntrico da diplomacia internacional para se tornar a maior crise entre Estados Unidos e Europa em décadas. O presidente norte-americano Donald Trump não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha, tida por ele como estratégica tanto do ponto de vista militar quanto econômico. Do outro lado, governos europeus e as autoridades locais da Groenlândia rejeitam qualquer negociação nesse sentido. As ameaças de Trump começaram ainda durante o seu primeiro mandato, em 2019, e ganharam força em seu retorno à Casa Branca. Na época, soavam como mais uma declaração exagerada. Os europeus, acostumados a dar respostas políticas e a evitar confrontos diretos com Washington, viram Trump intensificar os ataques. Já é possível dizer que esta é a maior crise diplomática entre os Estados Unidos e a Europa nas últimas décadas. O presidente americano passou a atacar publicamente líderes europeus, sugeriu que Emmanuel Macron pode deixar o poder em breve e divulgou mensagens privadas do presidente francês e do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Trump também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece fincando uma bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia e anunciou tarifas de 10% sobre países europeus que enviaram tropas para a região, com a ameaça de elevar a taxa para 25% caso não haja recuo até junho. Em meio a essa escalada, o presidente afirmou acreditar que Washington e a Otan chegarão a um acordo que satisfaça “ambos os lados”. Vale lembrar que os Estados Unidos e a maioria dos países europeus fazem parte da aliança militar e que essa crise já é vista como uma questão existencial para a Otan. A reação europeia Desta vez, os europeus finalmente subiram o tom. Durante muito tempo, o continente vinha fazendo vista grossa para as ações de Trump. Agora o cenário é outro, trata-se de uma ameaça direta a um território europeu. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a União Europeia não pode aceitar a “lei do mais forte” e cobrou respeito nas relações internacionais. Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, ele declarou que o bloco prefere estabilidade e crescimento, mas não à custa de intimidação. Nesta quarta-feira (21), Macron solicitou à Otan a realização de um exercício militar na Groenlândia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o episódio como um sinal de mudança “sísmica” na ordem internacional e garantiu que o bloco não hesitará em responder. A Dinamarca também adotou um tom duro. A primeira-ministra Mette Frederiksen descartou qualquer possibilidade de venda da ilha e afirmou que o continente não pode ignorar o risco de uma ação militar norte-americana. Discurso endossado pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que não descartou a possibilidade de uma incursão dos Estados Unidos e anunciou que o governo local começou a se preparar para esse cenário. Nos últimos dias, países europeus também enviaram pequenos contingentes militares à Groenlândia, em um gesto mais simbólico do que operacional. A Alemanha deslocou 13 soldados, a França 15, a Suécia três oficiais, Noruega e Finlândia dois cada, e a Holanda apenas um militar. A Dinamarca enviou cerca de 100. Segundo líderes europeus, esses primeiros envios têm como objetivo preparar exercícios militares conjuntos e planejar um reforço maior ao longo de 2026. A frente econômica Em Bruxelas, a questão também é tratada com muita seriedade no campo econômico. Trump já anunciou tarifas de 10% sobre todos os bens importados de países que enviaram tropas para a Groenlândia. A ameaça é elevar essa taxa para 25% se não houver recuo até junho. A resposta imediata da União Europeia foi congelar o acordo tarifário com os Estados Unidos, negociado no ano passado e que ainda precisava ser ratificado pelo Parlamento Europeu. Os eurodeputados estão reunidos em Estrasburgo, e os líderes dos principais grupos políticos afirmam que há consenso para suspender a aprovação. Além disso, duas outras medidas estão sobre a mesa. A primeira é a retomada automática de tarifas contra € 93 bilhões em produtos americanos. Esse pacote estava apenas suspenso e pode entrar em vigor já no início de fevereiro. A segunda é o chamado Instrumento Anti-Coerção, apelidado de bazuca comercial. Ele permitiria à União Europeia limitar investimentos, contratos públicos e até serviços financeiros de países que usem o comércio como forma de pressão política. Um desgaste antigo A crise da ...
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