• 132 - Psicanálise: substantivo
    Feb 16 2026

    No episódio de hoje do Psicanálise e Cultura, proponho uma reflexão direta e necessária: psicanálise é substantivo.

    Em um tempo em que proliferam versões adjetivadas — psicanálise religiosa, psicanálise cristã, psicanálise coaching, psicanálise “humanizada” — volto à pergunta fundamental: o que acontece quando a psicanálise deixa de ser núcleo e passa a ser complemento?

    Partindo da própria gramática, discuto a diferença entre substantivo e adjetivo para pensar algo maior: a autonomia ética, clínica e teórica da psicanálise. Porque adjetivar nunca é neutro. Todo adjetivo orienta, normatiza, direciona — e, muitas vezes, captura.

    Retomo Sigmund Freud, suas advertências sobre neutralidade, abstinência e responsabilidade ética, e passo por Sándor Ferenczi e Donald Winnicott para sustentar uma ideia central: as transformações e debates internos à psicanálise nascem de dentro do campo — não da submissão a morais externas ou a demandas de mercado.

    Sustentar a psicanálise como substantivo é, hoje, uma posição ética e política. É recusar sua banalização, sua domesticação e seu uso como instrumento de poder ou de salvação.

    🎧 Dê o play e venha pensar comigo: quando adjetivamos a psicanálise, o que estamos realmente fazendo com ela?

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    15 Min.
  • 131 - Por uma vida sem Instagram
    Feb 9 2026

    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão incômoda e necessária sobre o lugar que as redes sociais — especialmente o Instagram — passaram a ocupar na nossa vida psíquica, nos afetos e no desejo.

    Longe de um discurso tecnofóbico ou moralizante, o episódio investiga como as redes deixaram de ser apenas espaços de troca para se tornarem dispositivos de captura da atenção, da subjetividade e do sofrimento. Uma gramática do olhar que organiza o que deve ser visto, desejado e reconhecido — e, muitas vezes, quem merece existir.

    A partir da clínica psicanalítica, da cultura digital e da experiência cotidiana, o episódio discute o esvaziamento do desejo, a lógica da performance, a transformação da vida em conteúdo e o empobrecimento do espaço público. Também aborda a importância da regulamentação das plataformas, da proteção de crianças e adolescentes e da responsabilidade dos adultos na educação midiática.

    “Por uma vida sem Instagram” não é um convite ao abandono da tecnologia, mas à construção de uma relação mais ética, consciente e menos colonizada pelos algoritmos. Uma defesa do direito ao silêncio, à intimidade, à opacidade e ao tempo da elaboração.

    Entre o brilho da tela e a densidade da vida, este episódio convida à pergunta: o que tudo isso faz conosco?

    🎧 Um episódio para quem deseja pensar, sentir e existir para além da lógica da vitrine.

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    18 Min.
  • 130 - Transferência: responsabilidade, afeto e poder
    Feb 2 2026

    🎧 Transferência: responsabilidade, afeto e poder

    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe um deslocamento necessário: pensar a transferência não apenas como um conceito técnico, mas como um campo ético, afetivo e profundamente político. A partir de Freud, Ferenczi e Winnicott, a conversa percorre a assimetria da relação analítica, os riscos da idealização, a responsabilidade do lugar de suposto saber e os perigos da captura da transferência como instrumento de poder, tutela ou dominação.

    Quando a escuta vira controle? Quando o cuidado se transforma em violência? E o que sustenta, de fato, a segurança afetiva na clínica? Um episódio para quem entende que, sem ética e responsabilidade, a psicanálise se perde de si mesma.

    🎙️ Apresentação: Sandro Cavallote

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    11 Min.
  • 129 - Psicanálise é psicoterapia?
    Jan 26 2026

    🎙️ Episódio: “A pergunta que não quer calar: Psicanálise é Psicoterapia?”
    🎧 Apresentação: Sandro Cavallote

    Neste episódio, adentramos um dos debates mais espinhosos — e fundamentais — do campo psicanalítico: afinal, a psicanálise é ou não uma psicoterapia?

    Partindo de Freud e da noção inaugural de “cura pela fala”, percorremos as transformações históricas da clínica psicanalítica, a virada da centralidade do sintoma para a verdade do sujeito e a cisão que se estabelece entre psicanálise e psicoterapia. O episódio discute as diferenças de horizonte entre práticas voltadas ao ajustamento e uma clínica orientada pelo desejo e pelo inconsciente.

    O diálogo passa pela crítica lacaniana à psicoterapia adaptativa, pelo contraponto ferencziano que recoloca o cuidado com o sofrimento no centro da experiência analítica, e pelo modo como, no Brasil, essa distinção ganhou contornos institucionais, éticos e legais. Também refletimos sobre a prática clínica concreta, onde as fronteiras nem sempre são nítidas e a pergunta decisiva passa a ser: a serviço de quê está a escuta?

    Mais do que oferecer uma resposta fechada, este episódio propõe deslocar a pergunta. Talvez a psicanálise não prometa bem-estar, mas algo mais exigente: um encontro com a verdade e com a responsabilidade subjetiva.

    Um convite à escuta, à crítica e à reflexão.
    Siga o podcast, compartilhe e participe do debate nos comentários.

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    14 Min.
  • 128 - O inferno familiar: por que escolhemos a dor que conhecemos?
    Jan 19 2026

    No episódio 128, a fala é sobre por que insistimos em repetir sofrimentos que já conhecemos tão bem?
    Por que, diante da possibilidade de algo novo, preferimos voltar para a mesma rua escura de sempre?

    Neste episódio, Sandro Cavallote revisita a compulsão à repetição freudiana para pensar o que nos mantém fiéis ao sintoma, à dor conhecida, ao “diabo familiar”. Não se trata de falta de força de vontade, mas de uma economia psíquica poderosa, protetora e, ao mesmo tempo, aprisionante.

    Falamos sobre:

    • compulsão à repetição e fidelidade ao sintoma

    • medo do novo e da angústia do desconhecido

    • luto, elaboração e perlaboração

    • por que mudar dói — e por que permanecer dói também

    Um convite a trocar a dor estéril da repetição por uma dor fértil, capaz de abrir espaço para a invenção de novos modos de existir.

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    14 Min.
  • 127 - O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem
    Jan 12 2026

    No episódio 127 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote nos convida a pensar sobre um dos instrumentos centrais da psicanálise: a palavra. Mas não qualquer palavra — e sim aquelas que escorregam, falham, repetem, silenciam e dizem mais do que aparentam dizer.


    Em “O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem”, o episódio percorre a ideia de que o inconsciente se manifesta justamente nas brechas da linguagem: nos lapsos, nos atos falhos, nas metáforas insistentes, nas escolhas aparentemente banais de palavras e nos silêncios que atravessam a fala.


    A partir de Freud e da experiência clínica, o episódio aborda:


    a diferença entre o vocabulário manifesto e o vocabulário latente,


    a escuta das repetições, hesitações e desvios da linguagem,


    a palavra como porta de entrada para o desejo e o recalcado,


    e o papel ético do analista como tradutor de sentidos — nunca como intérprete fechado.


    Sandro também articula o tema à formação do psicanalista, discutindo o tripé clássico da psicanálise — análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica — como um verdadeiro processo de alfabetização do inconsciente. Uma formação que exige ampliar o vocabulário técnico, mas também sensível, cultural e humano.


    O episódio defende ainda a importância de uma formação plural: filosofia, artes, história, linguística, literatura e cultura contemporânea como campos que enriquecem a escuta clínica e evitam o empobrecimento da prática psicanalítica.


    Em uma reflexão que atravessa clínica, cultura e ética, este episódio propõe que cuidar das palavras é cuidar do desejo — e que formar-se analista é assumir um compromisso permanente com a escuta, a linguagem e a singularidade de cada história.


    🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, linguagem, formação clínica e pelas palavras que nos habitam mais do que imaginamos.


    Aperte o play e venha escutar o que as palavras ainda não disseram.

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    17 Min.
  • 126 - Por que a Psicanálise não tem Conselho (nem precisa de um)
    Jan 5 2026

    No episódio 126 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão direta e necessária: por que a psicanálise não dá conselhos — e por que ela também não precisa de um Conselho regulador.

    Partindo da palavra “conselho”, o episódio percorre dois eixos centrais da ética psicanalítica. De um lado, a recusa do analista em ocupar o lugar daquele que sabe o que é melhor para o outro, sustentando a aposta no desejo e na responsabilidade subjetiva. De outro, o debate contemporâneo no Brasil sobre a criação de um Conselho Federal de Psicanálise e os riscos da normatização de uma prática fundada no singular, no caso a caso e na transmissão viva.

    Ao longo do episódio, discutem-se temas como:

    • a diferença entre escuta e orientação,

    • a função ética da não-sugestão na clínica,

    • a formação do analista para além de diplomas e grades curriculares,

    • a implicação subjetiva como eixo da prática psicanalítica,

    • e a regulação feita pelos pares, pelas escolas e pela própria experiência clínica.

    Em uma cultura ávida por respostas prontas, garantias e manuais de conduta, este episódio é um convite a sustentar a falta de garantias — tanto na vida quanto na clínica — como condição para o desejo, a responsabilidade e a invenção.

    🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, ética, formação clínica e pelos impasses contemporâneos entre singularidade e regulamentação.

    Aperte o play e siga conosco nessa jornada.

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    16 Min.
  • 125 - Hiper-rotinas: A tirania do tempo produtivo
    Dec 29 2025

    Neste episódio, Sandro Cavallote investiga as hiperrotinas e a tirania do tempo produtivo que domina a vida contemporânea.

    Uma análise que aborda:

    • A transformação do tempo em uma mercadoria rara, constantemente medida e otimizada por uma lógica militar de tarefas e metas.

    • A ilusão de controle: como o preenchimento excessivo da agenda com atividades (trabalho, exercício, autocuidado) esconde a fuga do vazio e a pressão por estar sempre em movimento.

    • A perspectiva psicanalítica: o inconsciente é atemporal e o desejo não obedece a relógios. Tentar encaixotá-lo em planilhas gera um conflito profundo.

    • As consequências: burnout, ansiedade e insônia como sintomas de uma "vida sem intervalo", onde não há espaço para o vazio criativo e o sujeito se torna um mero executor de tarefas.

    Um convite para refletir: será que controlamos nosso tempo, ou estamos sendo controlados por ele?

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    12 Min.