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A Semana na Imprensa

A Semana na Imprensa

Von: RFI Brasil
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Über diesen Titel

Uma leitura dos assuntos que mais interessaram as revistas semanais da França. Os destaques da atualidade do ponto de vista das principais publicações do país.

France Médias Monde
Politik & Regierungen
  • ICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump
    Jan 24 2026
    Segundo os semanários franceses Le Point e L’Express, Minneapolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos marcada pela morte de George Floyd em 2020, enfrenta uma grave crise: de um lado, moradores organizam resistência à ICE, agência de imigração que caça imigrantes sem documentação; de outro, a agência se tornou um negócio bilionário para aliados de Donald Trump. Le Point destaca a mobilização cidadã, enquanto L’Express mostra a politização e a impunidade da ICE. Minneapolis, cidade do estado de Minnesota conhecida mundialmente após a morte de George Floyd em 2020, vive hoje uma crise intensa envolvendo a ICE, agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. Moradores se mobilizam para resistir às ações de agentes que perseguem imigrantes sem documentação, enquanto, segundo Le Point e L’Express, a mesma agência se tornou um negócio bilionário para aliados do ex-presidente Donald Trump. Em reportagens detalhadas, Le Point descreve a rotina de moradores como Juan, que se organiza para vigiar e seguir veículos da ICE pelas ruas da cidade. Armados com apitos e redes de comunicação, grupos comunitários alertam vizinhos, levam comida a quem não se sente seguro para sair de casa e registram abusos cometidos pelos agentes. A mobilização acontece pouco depois do assassinato de Renee Good, mãe de família de 37 anos, morta por um agente da ICE em janeiro, e tem como objetivo evitar novos abusos. Segundo Le Point, Juan se tornou “patrulheiro”, dedicando parte de suas semanas a monitorar operações da agência. Ele mantém binóculos e anotações à mão, observa padrões de ação da ICE e registra qualquer tentativa de intimidação, mas reforça que não realiza ações ilegais. A cidade também adotou medidas como aulas online temporárias em alguns bairros, reforço de redes comunitárias e vigilância coletiva, buscando proteger residentes vulneráveis e manter a mobilização organizada. Leia tambémO jogo virou? Influenciador próximo de Trump compara ICE à polícia política da Alemanha nazista Máquina de lucro para aliados de Trump Já a revista L’Express enfatiza a dimensão financeira e política da ICE. A agência se transformou em uma verdadeira máquina de lucro para aliados de Trump, com contratos e consultorias bilionárias gerando ganhos privados a partir de políticas de expulsão em massa. Um exemplo citado é o de Tom Homan, ex-diretor da ICE, que, segundo investigação do FBI, ofereceu contratos federais prometendo lucros a clientes ligados ao governo caso Trump retornasse à presidência. Além disso, L’Express relata que a promulgação da lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), em julho de 2025, triplicou o orçamento da ICE para US$ 27,7 bilhões por ano, tornando a agência a primeira força federal do país em termos de recursos financeiros. A lei permitiu que a ICE atuasse com métodos muitas vezes questionáveis, com agentes protegidos por imunidade praticamente absoluta, enquanto operações de deportação atingem tanto imigrantes quanto cidadãos norte-americanos, como no caso de Renee Good. Leia tambémTrump ameaça usar Forças Armadas contra 'ataques' à polícia de imigração em Minneapolis A polarização em Minneapolis reflete o contraste entre resistência comunitária e poder da agência. Le Point mostra que moradores, apesar do frio intenso e do clima tenso, mantêm disciplina e método. O monitoramento da ICE é feito com cuidado: sinalizações por apitos, acompanhamento visual, registro de veículos e denúncias às autoridades quando há abuso. A cidade tenta impedir que a violência se espalhe e proteger a população mais vulnerável. Por outro lado, L’Express evidencia que o aparato da ICE funciona quase como um sistema paralelo, politizado e lucrativo, apoiado por aliados do governo e empresas privadas de segurança. Firmas como Constellis Holdings, resultado da fusão de antigas empresas militares privadas, recebem milhões de dólares e se beneficiam diretamente da estrutura de deportações em massa, sem que exista responsabilidade clara sobre abusos cometidos.
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    2 Min.
  • As cinco condições para revolução no Irã estão postas, afirma especialista a revista francesa
    Jan 17 2026

    O movimento de contestação ao regime iraniano e a violenta repressão aos protestos, nas últimas três semanas, ocupam as capas das principais revistas semanais francesas. As reportagens analisam as chances de queda do aiatolá Ali Khamenei, que comanda o país com mãos de ferro desde a Revolução Iraniana, em 1979.

    Em entrevista à revista Le Point, um dos especialistas mais respeitados do mundo em mudanças sociais, o americano Jack A. Goldstone, da George Mason University, afirmou que “as cinco condições para o sucesso de uma revolução estão postas” no Irã. Situação econômica preocupante, protestos generalizados pelo país, apoio crescente da elite, descrença na capacidade do governo de superar as dificuldades e ambiente internacional favorável fazem com que, pela primeira vez desde que assumiram o poder, os mulás iranianos possam ser derrubados, indicou o pesquisador.

    Não foi o que ocorreu no Irã em 2009, 2018 ou 2022, quando o regime conseguiu sufocar grandes protestos nas ruas. Nas três ocasiões precedentes, os manifestantes visavam reivindicações sociais precisas, mas não o fim do governo islamita, como agora.

    A possibilidade de retorno do exílio do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá deposto pela Revolução Iraniana, é outro foco das reportagens. Um opositor de longa data do regime relata à L’Express que é a primeira vez que vê retratos de Pahlavi e gritos pedindo o seu retorno nas manifestações. “Ele parece ser a nossa única chance de voltarmos a um sistema político centrado na modernidade, que priorize os interesses nacionais dos iranianos, e não os ideológicos da República Islâmica”, disse a testemunha.

    L’Express salienta que, conforme o último levantamento do Grupo de Análise e Medição das Atitudes no Irã, baseado na Holanda, Reza Pahlavi seria a personalidade política preferida dos iranianos, com 31% dos votos em 2024, e 21% dos entrevistados defendiam a volta da monarquia no país. A confiabilidade da pesquisa em um país onde elas são proibidas, entretanto, é questionável.

    Reza Pahlavi e a extrema direita

    Em Teerã, muitos defendem um Irã “sem mulás, nem xás”. "O problema é que a oposição nunca conseguiu se estruturar no país, em meio à forte repressão", frisou o pesquisador iraniano Amir Kianpour, à revista Nouvel Obs.

    “O filho xá sonha em retomar o poder, ao mesmo tempo em que cultiva laços com a extrema direita do mundo inteiro”, afirma a publicação. Nas redes sociais, ele exalta Donald Trump e, sempre que pode, participa de eventos da ultradireita, como a Conferência de Ação Política Conservadora, grande encontro do qual já discursaram o britânico Nigel Farage, o argentino Javier Milei, a italiana Giorgia Meloni ou o empresário Elon Musk, além do próprio presidente americano. Em 2023, ele chegou a se encontrar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem posou para fotos.

    “Muitos iranianos que nasceram depois revolução sequer sabem que Pahlavi não apoia a democracia, como diz. Ele é um oportunista”, criticou a refugiada política iraniana Mahtab Ghorbani, que vive na França, em entrevista à Nouvel Obs.

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    2 Min.
  • 'Quem será o próximo?': imprensa antecipa alvos do 'cowboy' Trump, inclusive na América Latina
    Jan 10 2026
    As revistas semanais francesas analisam a nova ordem mundial instaurada por Donald Trump. Captura de Maduro, ameaças a Cuba, Colômbia e Irã, interesse na Groenlândia: em 2026, o magnata redefine a ordem pela imposição. Para Le Nouvel Obs, o presidente americano "aplica a lei do mais forte"; Le Point vê pragmatismo imperialista visando recursos estratégicos, e L’Express alerta para a ascensão de "um novo predador hemisférico" que impõe os interesses norte-americanos ao resto do planeta. Ao capturar o ditador Nicolás Maduro e assumir o controle da Venezuela, o presidente norte-americano, Donald Trump desrespeitou o direito dos Estados Unidos e internacional. Para a revista francesa Le Nouvel Obs, o gesto revive a tradição imperialista norte-americana e abre caminho para futuras ações em outras regiões estratégicas, como o Ártico, por meio da Groenlândia. O periódico lembra que a operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve, no original em inglês) confirma que Trump, que se dizia pacificador, privilegia a diplomacia militar direta. O presidente segue a chamada “doutrina Trump”, concebida por seu vice J.D. Vance: primeiro, definir claramente o interesse nacional; segundo, esgotar a diplomacia; terceiro, recorrer à força esmagadora quando necessário, retirando-se rapidamente antes que o conflito se prolongue. A ação em Caracas, segundo o Le Nouvel Obs, seria "apenas a primeira de um plano mais amplo, que consolida o Ocidente sob a influência norte-americana, ignorando adversários como Rússia e China, e lembrando antigas operações secretas da CIA na América Latina". Leia tambémApetite de Trump pela Groenlândia pressiona Otan; EUA querem 'comprar' ilha, mas não descartam força militar A revista observa que a aparente obsessão de Trump pelo tráfico venezuelano contrasta com a clemência concedida ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por envio de mais de 400 toneladas de cocaína aos Estados Unidos. Para especialistas citados pela semanal, o presidente se guia unicamente pelo interesse estratégico norte-americano, visando a apropriação de recursos naturais — do petróleo venezuelano aos minerais da Groenlândia —, sob uma lógica de capitalismo agressivo e "predatório". Quem será o próximo? Para a revista Le Point, o sentimento que domina o início de 2026 é o da hybris, termo grego que significa o poder desmesurado, sem limites. Com Nicolás Maduro capturado, Donald Trump atira para todos os lados e o veículo questiona na capa: "Quem será o próximo?". A questão central levantada por Le Point é se Trump abriu uma brecha que outros atores tenderão a explorar. A revista caracteriza a postura de Trump como imperialista – e, em certos aspectos, colonial. Se houver um próximo alvo, ele provavelmente estará na América Latina, diz Le Point. O próprio presidente não esconde: “ninguém voltará a questionar a dominação norte-americana no hemisfério ocidental”. Quanto à Groenlândia, tema que preocupa governos europeus, Le Point arrisca uma hipótese: Trump fará tudo para adquirir o território – que, na visão norte-americana, também integra o “hemisfério ocidental” –, mas aposta que poderá “comprá-lo”, e não tomá-lo pela força. Resta o Irã. Para o líder republicano, seria mais vantajoso esperar um eventual colapso interno do regime do que arriscar a captura do aiatolá Ali Khamenei, mergulhando a região em um caos comparável ao do Iraque pós-2003. Leia também'Se o Brasil tivesse pressionado Maduro, cenário poderia ser outro', diz especialista No balanço de Le Point, esse início de ano reduz ainda mais as chances de Trump receber um dia o Prêmio Nobel da Paz. Em menos de 12 meses, ele autorizou mais ataques – com mísseis, bombas e drones – do que Joe Biden ao longo de todo o seu mandato. Nova ordem mundial para quem? Já a L’Express traz uma ilustração impactante: Trump como cowboy armado, com faixa estilo "Rambo", sob o título “A Nova Ordem Mundial”. Para a publicação, o sequestro de Maduro marca o advento da “lei do mais forte” e abre espaço para todas as possibilidades geopolíticas. A ação em Caracas, segundo a revista francesa, sinaliza que Trump não é mais apenas o candidato populista da campanha de 2016: ele se tornou um imperador pragmático e decidido, capaz de aplicar sua visão mesmo desorientando parte da base que esperava uma postura isolacionista. A revista destaca ainda que a Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro deixa claro o projeto do presidente: tornar os Estados Unidos a “nação mais poderosa e próspera da história” e reconquistar seu quintal histórico, a América Latina. A publicação cita a historiadora francovenezuelana Elizabeth Burgos, que observa a necessidade de Washington criar dissuasão na região para manter influência global. Medidas simbólicas, como ...
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