• A Sombra e o Mal nos Contos de Fada
    Feb 23 2026

    O episódio apresenta fragmentos de uma análise psicológica de contos de fadas, explorando conceitos junguianos como a Sombra, a Anima ou Ânimus e o Self. O autor examina a Sombra em níveis individual e coletivo, discutindo como ela se manifesta na civilização, em grupos e em sonhos, e ressalta a dificuldade de integrar os aspectos inconscientes da personalidade. Grande parte da discussão se concentra em como o mal e os poderes arquetípicos são representados e confrontados em narrativas folclóricas, utilizando exemplos como o sacrifício e o simbolismo da árvore e do deus suspenso, como Wotan e Cristo. Finalmente, o texto aborda a origem e a função dos contos de fada como reflexos da estrutura psicológica elementar e da consciência coletiva de diferentes épocas e culturas, enfatizando o paradoxo ético presente nesses contos.

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    28 Min.
  • O Desejo Dos Outros Uma Etnografia Dos Sonhos Yanomami
    Feb 16 2026

    Neste episódio, exploramos trechos da tese de doutorado de Hanna Cibele Lins Rocha Limulja, intitulada “O Desejo dos Outros: uma etnografia dos sonhos Yanomami”. A pesquisa mergulha na cosmologia e na experiência onírica desse povo, especialmente na comunidade Pya ú, revelando como os sonhos são muito mais do que simples imagens noturnas, são modos de relação com o mundo.

    Entre 2015 e 2017, Hanna viveu entre os Yanomami e investigou a inversão entre o dia e a noite: quando os vivos dormem, é o dia dos mortos (pore pë) e dos espíritos auxiliares (xapiri pë). Nesse tempo outro, o sonho se torna um espaço de trânsito entre mundos, onde o humano se comunica com aquilo que está além da vigília.

    No centro dessa cosmologia está o conceito de utupë, a “imagem” que é também o lugar dos sentimentos e do conhecimento. Através dela, os sonhos e os mitos se entrelaçam, especialmente nas experiências xamânicas com a yãkoana, substância que permite ao xamã ver e dialogar com os espíritos.

    A pesquisa também aborda a saudade, não como falta ou ausência, mas como o desejo que os outros seres do cosmos sentem pelos humanos. Assim, o sonho Yanomami revela uma rede de afetos e trocas entre mundos, lembrando-nos que sonhar, para eles, é uma forma de manter viva a reciprocidade entre o visível e o invisível.

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    21 Min.
  • Quatro dias fora do Eu: o carnaval como rito de êxtase, sombra e renovação da vida social
    Feb 13 2026

    O texto analisa o Carnaval brasileiro sob a perspectiva da psicologia analítica e arquetípica, apresentando-o como uma ferramenta essencial de regulação psíquica coletiva. O autor argumenta que a festividade atua como um antídoto simbólico contra as pressões de produtividade e o isolamento da sociedade contemporânea, permitindo a suspensão temporária das identidades rígidas. Através do conceito de êxtase dionisíaco, a obra demonstra como o evento integra memórias ancestrais e elementos da sombra cultural para promover a cura da alma coletiva. Ao subverter hierarquias e utilizar máscaras, o Carnaval é descrito como um ritual de resistência que resgata a alteridade e a transcendência em um mundo excessivamente funcional. Em suma, o artigo defende que a folia não é apenas entretenimento, mas uma tecnologia de renovação social indispensável para a manutenção da saúde espiritual do país.

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    14 Min.
  • Diálogos horizontais entre ciência e esoterismo na psicologia analítica.
    Feb 9 2026

    O episódio fornece uma visão abrangente sobre a Psicologia Analítica de Carl Jung e suas diversas interconexões com outras áreas do conhecimento e da prática clínica. Há uma forte ênfase na epistemologia feminista, questionando binarismos de gênero e defendendo a psique andrógina na teoria junguiana. As fontes também exploram o conceito de numinoso e espiritualidade, tanto na teoria de Jung quanto na sua manifestação na psique individual, utilizando a autoetnografia e o simbolismo arquetípico, como Lilith, e os conceitos do I Ching. Além disso, os artigos discutem o corpo do psicoterapeuta e a contratransferência somática em práticas verbais, a relevância da astrologia e sincronicidade, e a importância da intuição em diálogo com as neurociências e a experiência psicodélica. Finalmente, o material aborda a Alquimia Psíquica, com foco nos processos de calcinatio e solutio, e a crítica ao pensamento reducionista através da Teoria da Complexidade de Edgar Morin e a influência do Livro Vermelho de Jung na clínica.

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    18 Min.
  • Mitologia Grega: Mitos, Arquétipos, e Deuses
    Feb 2 2026

    O episódio apresenta excertos de uma obra sobre Mitologia Grega, escrita por Junito de Souza Brandão, focando a importância cultural e psicológica dos mitos como orientadores existenciais e depositários do inconsciente coletivo e dos arquétipos. A obra detalha diversas facetas da mitologia e religião grega, incluindo a cosmogonia hesiódica, o surgimento e a genealogia das primeiras gerações divinas (Urano, Géia, Titãs), a função das deusas como Deméter e Hécate, e a relevância de figuras heroicas e temas como o destino (Moîra). Além disso, o autor examina o papel dos ritos, a evolução histórica e cultural da Grécia, desde as invasões indo-europeias (Jônios) e as civilizações minoica e micênica, até a influência da épica homérica na formação do panteão e da personalidade grega.

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    24 Min.
  • Dialética Conceitual e Historiográfica das Peregrinações
    Jan 26 2026

    "Dialética Conceitual e Historiográfica das Peregrinações" oferece uma análise aprofundada da construção histórica das peregrinações cristãs, desde suas origens até a era contemporânea. O texto examina as mudanças conceituais e historiográficas do fenômeno, explorando as interpretações, apropriações e motivações dos peregrinos. Aborda a evolução da prática, destacando como as peregrinações se entrelaçaram com as esferas política, social e cultural ao longo dos séculos, especialmente na Idade Média, considerada o período áureo. Além do foco religioso, o artigo também discute a dimensão antropológica da peregrinação como busca interior e processo de transformação pessoal, e toca na intersecção moderna entre peregrinação e turismo. O trabalho utiliza diversas áreas do conhecimento, como a antropologia e a teologia, para apresentar um panorama abrangente de conceitos e definições sobre a prática.

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    25 Min.
  • São Paulo, do Piratininga ao Silício (uma cartografia psíquica das tensões identitárias paulistanas)
    Jan 25 2026

    Este ensaio do Felipe Foresto (psicólogo junguiano) investiga a cidade de São Paulo através da perspectiva da psicologia arquetípica junguiana, propondo uma leitura fenomenológica da relação entre o indivíduo e a metrópole. Desde sua fundação jesuítica no planalto de Piratininga até sua configuração contemporânea como megalópole tecnológica, São Paulo emerge como um campo simbólico onde arquétipos coletivos se manifestam em suas contradições urbanas, culturais e sociais. Através da análise de elementos históricos, antropológicos e culturai, das águas aterradas dos rios Tietê e Pinheiros à efervescência do rap paulistano, da garoa característica aos apagões elétricos, da colônia japonesa ao movimento punk, buscamos compreender como a cidade configura a psique de seus habitantes e como estes, reciprocamente, reinventam continuamente a alma da metrópole. A investigação abrange também as transformações pós-pandêmicas e as implicações da inteligência artificial no futuro da relação entre consciência individual e identidade coletiva paulistana, propondo que São Paulo representa um arquétipo contemporâneo da complexidade, da transformação perpétua e da dialética entre pertencimento e desenraizamento.

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    18 Min.
  • Obras completas (VOLUME VI) A Psicopatopatologia da Vida Cotidiana (Freud)
    Jan 24 2026

    O episódio apresenta uma extensa compilação de excertos de The Standard Edition of the Complete Psychological Works de Sigmund Freud, especificamente do Volume Seis, que contém A Psicopatopatologia da Vida Cotidiana (1901). A maioria das páginas consiste em exemplos detalhados e análises psicanalíticas de parapraxias, ou atos falhos—como lapsos de língua, esquecimento de nomes e intenções, erros, e ações desajeitadas. As notas editoriais e de tradução destacam a complexidade de traduzir o trabalho de Freud devido ao uso de trocadilhos, comparando a versão anterior de Brill com a Standard Edition, que visa a completude para estudantes sérios de sua obra. O foco central do material é demonstrar que esses erros aparentemente casuais não são acidentais, mas sim psicologicamente determinados por pensamentos e desejos inconscientes.

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    16 Min.