• Brasil demonstra cautela diante do convite de Trump para integrar o Conselho de Paz de Gaza
    Jan 22 2026
    A RFI ouviu especialistas que divergem quanto à participação do Brasil no Conselho de Paz de Gaza, criado pelo presidente dos Estados Unidos. Ambos apontam cenário bastante tenso nas relações internacionais, mas nenhum acredita em novo tarifaço contra o Brasil diante da recusa ao convite. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília O governo brasileiro, em especial assessores de Lula e do Itamaraty, têm avaliado em detalhes o tenso cenário internacional a fim de evitar que o convite de Donald Trump para que o Brasil integre o Conselho de Paz se transforme numa casca de banana diplomática. O fórum anunciado por Trump não tem objetivos voltados apenas para a Faixa de Gaza, mas segundo ele próprio, pode vir a substituir as Nações Unidas na pretensão de dirimir conflitos mundo afora. Diante das inúmeras dúvidas acerca do conselho, inclusive de que seja menos democrático do que o próprio Conselho de Segurança da ONU, com poderes concentrados nos Estados Unidos, o Brasil tende a recusar o convite, mas a complexidade das relações internacionais no momento torna a elaboração da resposta um desafio. Lula conversou com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sobre a situação na Faixa de Gaza e pretende falar com outros líderes, como o presidente francês, Emmanuel Macron. Dois analistas ouvidos pela RFI têm opiniões bem diferentes sobre o tema. O pesquisador William Gonçalves, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), avalia que dizer sim ao convite significaria dizer sim à política externa de Trump. “A participação do Brasil nesse Conselho de Paz proposto por Trump é inteiramente inconveniente, porque ele está subtraindo uma tarefa que devia competir à Organização das Nações Unidas. Trump tem trabalhado contra o multilateralismo, já retirou os Estados Unidos de mais de 60 entidades internacionais, comprometendo o trabalho delas”, diz Gonçalves. Para o especialista, “Trump faz o convite com má intenção, porque o alvo principal dele é o BRICS. O Brasil não pode participar de forma alguma desse Conselho. Seria uma forma de apoiar a política externa de Trump, com todas as ameaças e afrontas ao direito internacional que estamos vendo.” Por outro lado, o analista José Luiz Niemeyer, professor de Relações Internacionais do Ibmec/RJ, defende o ingresso do Brasil no Conselho de paz: “A recusa do Brasil pode ser considerada, neste momento, um erro estratégico. A diplomacia brasileira tem que ficar equidistante dos três centros imperiais de poder hoje, Estados Unidos, China e Rússia. E participar deste Conselho de Paz seria uma maneira de deixar claro para os Estados Unidos que por mais que o Brasil critique esta ordem internacional, o país quer participar de uma maneira propositiva”, defende Niemeyer. Para o especialista do Imbec, “até para o Brasil manter suas opiniões sobre Gaza de maneira autônoma, não participar é meio que não combater esse mundo de três impérios”. Ameaça tarifária Os dois analistas convergem num ponto. Não acreditam em retaliações comerciais ao Brasil, como um novo tarifaço, diante da recusa de Lula ao convite de Trump. “Não acho que haverá uma revanche dos Estados Unidos com relação a tarifas. Eles estão atuando de maneira muito agressiva no sistema internacional, tendo outras preocupações, com Brasil em segundo ou terceiro foco. Mas, ao mesmo tempo, os Estados Unidos veem o Brasil como um país importante da América do Sul, ainda mais dentro de sua nova doutrina de segurança nacional”, afirmou Niemeyer. “O Brasil teve um problema grave com os Estados Unidos com relação ao tarifaço, que foi muito bem resolvido pelo governo Lula e pela chancelaria brasileira, e que abriu as portas, no bom sentido, para que Washington e Brasília possam, por exemplo, explorar, não só os minerais de terras raras, mas aumentar a linha de investimento direto e comercial entre os dois países. Por isso que seria relevante o Brasil aceitar o convite”, afirmou o professor do Ibmec/RJ. Para William Gonçalves, interesses internos dos Estados Unidos com relação aos produtos brasileiros reduzem o risco de uma nova taxação extra. Mas ele destaca que isso não significa facilidades nas negociações com Trump. “O Brasil deve agir com muita cautela, sem decisões precipitadas, porque Donald Trump já manifestou a sua ideia a respeito da América Latina. Nós estamos, portanto, em área geográfica bastante sensível à política dos Estados Unidos. Qualquer gesto precipitado que possa ser interpretado como uma provocação pode receber em troca uma resposta imprevisível desse senhor, que é um sujeito abusado, que não se detém diante de nada e dispõe de um aparato militar ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    6 Min.
  • Exposição em Madri celebra legado de Oscar Niemeyer
    Jan 18 2026
    O fotógrafo espanhol Juan Carlos Vega transforma a junção entre arquitetura e balé, duas de suas grandes paixões, em uma verdadeira ode à obra de Oscar Niemeyer. O resultado é a mostra em cartaz em Madri até o dia 30 de janeiro. Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI na Espanha Ao entrar na sala de exposições da fundação madrilenha Ortega-Marañón, onde está em cartaz a mostra “Niemeyer Legado”, é fácil perceber que tudo ali indica movimento. As obras fotográficas expostas unem arquitetura e balé, como se os edifícios fossem linhas de uma partitura e os corpos dos bailarinos as notas que dão vida à música. É assim que o fotógrafo Juan Carlos Vega interpreta a interação entre dança e cidade, retratada de diferentes formas na exposição. A disposição dos quadros é única em cada uma das seções. As instalações de videoarte mostram, em movimento, o olhar de Vega sobre a produção de Oscar Niemeyer. As mesas centrais têm formato de “S”, dialogando diretamente com a geometria refletida em todo o salão. Elas reúnem revistas, fotografias e textos que contam como a história do fotógrafo e a obra do arquiteto se encontram. A obra de Niemeyer A proposta da exposição é apresentar o legado de Niemeyer como um processo aberto, em permanente construção, à medida que é redescoberto e ressignificado. É a partir dessa base que Juan Carlos Vega interpreta os projetos do carioca, considerado um dos maiores nomes da arquitetura mundial e primeiro arquiteto vivo a ver uma de suas obras se converter em Patrimônio Mundial da Humanidade, com o reconhecimento de Brasília pela Unesco, em 1987. Depois, também receberam a honraria o conjunto arquitetônico da Pampulha – que fica em Belo Horizonte e foi inscrito em 2016 – e a Feira Internacional de Rachid Karami, em Trípoli, no Líbano. Esta última passou a fazer parte da lista da Unesco em 2023. As imagens reunidas em “Niemeyer Legado” retratam espaços como a Igreja de São Francisco, em Belo Horizonte; o Congresso Nacional, em Brasília; o Memorial da América Latina, em São Paulo; o Memorial Teotônio Vilela, em Maceió, e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Nas fotos, os ângulos e curvas projetados por Niemeyer se fundem com as formas desenhadas pelo corpo de baile, disposto sempre em interação com a paisagem arquitetônica. Brasília, única no mundo Enquanto cada um dos recantos brasileiros visitados para dar origem à mostra recebe o seu devido destaque na exposição, a capital federal ocupa lugar privilegiado na vida do espanhol Juan Carlos Vega. Faz cinco anos, completados neste mês de janeiro, que Vega conheceu Brasília. A primeira impressão foi a de encarar algo único. “Em Brasília aconteceu algo especial comigo. Há algo que não há em nenhuma parte do mundo. É que os edifícios estão sozinhos. Não estão colados uns aos outros, têm muito espaço. E isso faz com que você tenha um enquadramento, uma visão diferente de outras cidades”, comenta o fotógrafo. Desde a primeira aterrissagem, Vega já esteve na capital brasileira dez vezes. Essas visitas, registradas em imagens, se somaram a trabalhos feitos em outras cidades e deram origem a diversas exposições. Em 2022, o espanhol inaugurou a mostra “Niemeyer – Dança por Vega” – que passou pelo Instituto Cervantes de Brasília; pela Casa de Chá, na Praça dos Três Poderes, e pela Casa Thomas Jefferson. Em 2024, realizou o projeto “Niemeyer – Utopia do movimento, legado internacional”, com exibição dupla no Senado Federal do Brasil e no Instituto Cervantes de Brasília. Já em 2025, apresentou a exposição “Brasília 65, Visões em um Sonho Geométrico”, na Fundação Pons, em Madri. Hoje, cinco anos depois do primeiro encontro com a capital brasileira, a cidade segue inspirando novos passos, olhares e enfoques. “Sempre que vou a Brasília, algo novo me inspira. É incrível. O relevo [presente na impressão de algumas fotos] foi um trabalho [feito] aqui, mas era com uma fotografia de Brasília. E tudo o que vou investigando e vou fazendo... Muito vem de quando vou a Brasília e tenho a inspiração”, reflete Vega. Formatos e acessibilidade Como o fotógrafo explica, a inspiração que a cidade traz não afeta apenas o momento do clique: ela o leva a querer transformar os resultados de suas obras, brincar com formatos, cores, modelos e desconstruções. Tudo isso também se reflete na exposição “Niemeyer Legado”, onde as fotografias ganham aspectos multidimensionais. Relevos e recortes adicionam ainda mais movimento às criações. Há quadros adaptados ao toque que, além de vistos, podem ser sentidos. O formato permite que pessoas cegas tenham contato com as fotografias feitas por Vega. A primeira foto confeccionada dessa maneira foi dedicada e entregue pelo autor à Infanta Margarita, tia do Rei Felipe VI, que tem deficiência visual. Legado Internacional Além das criações de ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    5 Min.
  • Para refugiados venezuelanos no Brasil, presidência de Delcy Rodríguez é um 'mal necessário'
    Jan 10 2026
    A Venezuela entrou em uma nova etapa de sua história após a invasão dos Estados Unidos. Agora, sem Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, o país é comandado interinamente pela chavista Delcy Rodríguez, autoridade sancionada no exterior e que não conta com apoio popular em seu país. Venezuelanos radicados no Brasil contam à RFI a percepção dos acontecimentos em sua terra natal. Elianah Jorge, correspondente da RFI no Rio de Janeiro O Brasil é o quarto destino escolhido pela diáspora venezuelana. Ano passado, foram mais de 19 mil pedidos de refúgio de venezuelanos em território brasileiro. Em 2016 William Clavijo foi de férias ao Rio de Janeiro. Antes de voltar, soube que colegas e membros da força política da qual participava foram presos por ordens do regime de Nicolás Maduro. Ele é uma das vozes ativas da comunidade venezuelana no Brasil. “Os anúncios de Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez [presidente da Assembleia Nacional] não respondem a um ato de vontade própria. Nós conhecemos muito bem quem são essas duas pessoas e a proximidade que tinham com Nicolás Maduro, e a relação que têm com a Comissão de Crimes da Lesa Humanidade, a violação dos direitos políticos dos venezuelanos e a violação dos direitos civis em geral”, observa. A advogada Delcy Rodríguez, de 56 anos, assumiu a presidência interina da Venezuela apesar de estar sancionada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Em sua gestão como ministra de Hidrocarbonetos, conseguiu driblar as sanções internacionais à venda de petróleo venezuelano. Segundo Donald Trump, ela é a pessoa mais indicada para conduzir o país neste período de transição. Após anos de impasse, de tentativas de negociações e até uma eleição que careceu de transparência, a gestão interina de Rodríguez faz parte de uma manobra internacional para que haja uma transição viável do país, segundo o venezuelano G.H, que prefere não ser identificado. “Delcy e companhia são uma jogada geopolítica. María Corina Machado e Edmundo González não poderiam voltar para governar. Toda essa situação na Venezuela é um barril de pólvora. Não é possível negociar com os que estão ali para ver que tipo de transição podemos fazer", afirma. "Apesar de não gostar dos irmãos Rodríguez, eu acho que eles são um mal necessário e vamos ver o que será possível fazer", comentou. 'Comemorei, mas Trump é um louco' Gil Hernández tem a dupla nacionalidade, brasileira e venezuelana. Ele mora no Rio de Janeiro, mas sua família paterna está em Coro, região petroleira na costa oeste da Venezuela. “Eu também comemorei, óbvio. Mas, por outro lado, é insano: [Donald Trump] é um louco para invadir outro país, sequestrar um presidente, levar para Nova York, julgar, e querer se apossar das reservas de petróleo, porque investiu no parque petrolífero e nunca foi pago. Que negócio é esse, gente?", disse. Donald Trump afirmou que a indústria petroleira da Venezuela foi construída pelos Estados Unidos – o que, segundo ele, daria ao país teria direito ao petróleo venezuelano. Moradora do Rio de Janeiro, a apoiadora do regime venezuelano Z.Y. acompanha com indignação o que acontece nem seu país. Ela percebe que, aos poucos, os venezuelanos começam a sentir as consequencias da ingerência norte-americana. “Há efeitos colaterais. Já há escassez, filas para comprar. O país já estava muito estabilizado", afirma. "A Venezuela, com todo o bloqueio e tudo o que aconteceu, já estava estabilizada, mesmo com todos o problemas que tinha. Mas estava limpa, bonita”, defendeu. Desde a invasão, a população vem fazendo compras nervosas. Os preços dos alimentos dispararam e o poder de compra do bolívar foi pulverizado. Um quilo de carne, que antes custava cerca de US$ 8, agora pode sair por U$25, afetando o bolso sobretudo das camadas mais pobres da população. Após dias de silêncio e incertezas, na última quinta-feira (8), Jorge Rodríguez, que também é irmão da presidente interina, anunciou a decisão “unilateral” de liberar presos políticos no país. Donald Trump afirmou que já preparava um segundo ataque à Venezuela, mas que a iniciativa de Rodríguez o demoveu da ideia. Reativação da economia O governo americano alega que os Estados Unidos irão modernizar o parque petroleiro da Venezuela – a força econômica do empobrecido país. Embora não esteja de acordo com a invasão, outro venezuelano morador do Brasil acredita que a recuperação da economia de seu país vai ser lançada. “Antes desse governo entrar, a Venezuela trabalhava com os Estados Unidos e sempre era metade e metade. Eles construíram uma planta e levavam petróleo por 20, 30 anos. Era normal", disse. "Sempre foi assim. Agora, haverá bastante emprego. Todas as petroleiras, todas as refinarias serão ativadas. E cada refinaria precisa mais de 5 mil pessoas. É bom!” O ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    5 Min.
  • Mostra 'Complexo Brasil' redescobre história, impasses e cultura do país para além de clichês em Portugal
    Dec 19 2025
    O mergulho no Brasil em terras portuguesas ganhou nova dimensão com a exposição Complexo Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, e projeto cenográfico de Daniela Thomas. A mostra, que reúne obras de arte, filmes, vídeos, documentos e textos, oferece uma oportunidade rara para um “redescobrimento mútuo” dos dois lados do Atlântico, e se distancia de estereótipos, abrindo novas perspectivas de entendimento. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa “O que nos propomos é oferecer e questionar, como um convite e um desafio ao atravessamento, uma experiência de Brasis”, ressaltou à RFI o ensaísta e músico José Miguel Wisnik. É um convite bem sensorial porque se trata de uma exposição muito colorida, muito intensa de expressão da visualidade brasileira pelas artes, por objetos, por imagens, por fotografias e também por vídeos, diz Wisnik. “Foram feitos seis vídeos, especialmente concebidos para a exposição Complexo Brasil, que tratam de temas como as potências e os impasses do Brasil contemporâneo e suas relações com o passado. Há vídeos sobre a escravidão, Brasília, a Amazônia, a música popular brasileira, a relação do samba com o candomblé e a escola de samba”, afirma Wisnik. “Todos esses elementos formam um conjunto que não é linear nem descritivo do ponto de vista cronológico. Trata-se de algo muito mais sensorial e também conceitual”, explica. “Percorremos esses múltiplos estímulos com uma visão histórica e crítica da formação do Brasil, um país ao mesmo tempo muito desigual e violento em vários aspectos, mas também extremamente rico e plural do ponto de vista de suas expressões culturais”, conclui. O projeto começou a ser concebido há três anos, com o objetivo de apresentar o Brasil ao público português. Desde o início, segundo o diretor do Programa Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian, Miguel Magalhães, a equipe tinha uma premissa clara. “Sabíamos que não queríamos uma exposição exótica ou tropical, carregada de estereótipos que costumam compor a imagem do Brasil”, afirmou à RFI. De acordo com Magalhães, a mostra propõe múltiplos olhares sobre o país. “É uma exposição feita de muitos Brasis, começando pelo Brasil anterior à chegada dos portugueses. Ela olha para os povos que já estavam ali, aborda o colonialismo e a escravidão, mas reconhece que o Brasil contemporâneo não se explica apenas pela sua relação com Portugal”, diz. “Complexo Brasil se organiza em três eixos — geografia, história e diversidade cultural. É nessa articulação que tentamos dar conta da complexidade do país. Não é uma exposição de artes visuais, mas uma exposição que usa a arte como uma caixa de ferramentas para ajudar a compreender o Brasil de hoje”, enfatiza. “Um país é uma entidade múltipla” Por que Complexo Brasil? Porque, em muitos sentidos, o Brasil é justamente isso: um conjunto intrincado de biomas, etnias, culturas, línguas, religiões e lógicas sociais, atravessado por desigualdades extremas. Um país marcado também por um permanente vaivém entre sentimentos de inferioridade e superioridade — síndromes que, como lembram os organizadores, brasileiros e portugueses conhecem bem. Esse emaranhado se desdobra em múltiplas camadas nas duas grandes galerias da Fundação Calouste Gulbenkian. Obras de naturezas muito distintas se encontram: peças do século XVII dialogam com produções contemporâneas, em um percurso que reúne artistas brasileiros de várias gerações. Estão representados nomes como Alfredo Volpi, Augusto de Campos, Claudia Andujar, Rosana Paulino, Abdias do Nascimento, Arthur Bispo do Rosário, Hélio Oiticica, Glicélia Tupinambá, Lygia Clark, Lygia Pape, Roberto Burle Marx e Luiz Zerbini, entre outros. Para o músico e curador da mostra, José Miguel Wisnik, Complexo Brasil se inicia com uma antologia de frases sobre o país, recolhidas em diferentes épocas e de autores diversos. “O Brasil é feio, mas gostoso”, a célebre frase atribuída ao escritor modernista Mário de Andrade, reaparece décadas depois nas palavras do compositor e maestro Tom Jobim. "Ele dizia que 'morar nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; morar no Brasil é uma merda, mas é bom' — uma síntese irônica e contraditória que ajuda a traduzir a complexidade do país", lembra. Mantos como fio condutor Os emblemáticos mantos tupinambá, cujos remanescentes hoje se encontram em museus europeus, são — não por acaso — o ponto de partida da exposição Complexo Brasil. Eles funcionam como fio condutor da mostra. Do manto sagrado do povo Tupinambá, do século XVI, devolvido ao Brasil pela Dinamarca no ano passado e presente na exposição por meio de um vídeo especialmente produzido, aos parangolés de Hélio Oiticica, o percurso atravessa diferentes tempos ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    7 Min.
  • PSG valoriza título mundial e elogia Flamengo: 'Revolução no futebol brasileiro', diz Marquinhos
    Dec 18 2025
    O primeiro título mundial da história do Paris Saint-Germain e de um clube da França foi sofrido, conquistado apenas na decisão por pênaltis – e, também por isso, a vitória foi bastante comemorada pela equipe. A boa atuação do Flamengo, adversário que impôs grandes dificuldades ao campeão europeu, serviu para valorizar ainda mais o troféu ganho nesta quarta-feira, no Catar, após empate por 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, seguido da vitória por 2 a 1 nos pênaltis, pela final da Copa Intercontinental. Tiago Leme, de Doha (Catar), para a RFI Depois da partida, jogadores do PSG e o técnico Luis Enrique elogiaram o Rubro-Negro carioca, que sonhou com o bicampeonato mundial e teve chances de vencer o duelo emocionante. O zagueiro brasileiro Marquinhos, capitão do Paris, falou sobre as qualidades do time tetracampeão da Libertadores – que, segundo ele, está fazendo uma “revolução no futebol do Brasil”. "Se respeitou muito esse time do Flamengo. A gente sabia que seria um jogo totalmente diferente", disse ele. "O adversário tem uma filosofia de jogo diferente, e eu sabia que seria assim. O Flamengo realmente vem trazendo uma revolução no futebol brasileiro, quanto à filosofia de jogo, a táticas, a entender o adversário, explorar o adversário da melhor maneira", explicou o jogador, antes de comparou com a partida contra o Botafogo, quando o PSG perdeu na primeira fase da Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos. “Essa seria uma final decidida nos detalhes. A gente queria até que fosse mais fácil para a gente, mas não foi. Então eu acho que se respeitou muito”, reconheceu. O zagueiro salientou que, como a equipe do Paris conta com muitos brasileiros e portugueses, o técnico e os próprios jogadores estão de olho no futebol brasileiro. “Todos conhecem o quanto que esse time do Flamengo é qualificado. São jogadores experientes, que voltaram da Europa e estão acostumados a jogar contra times da Europa, contra o PSG, contra outros grandes times. Então, com certeza foi um jogo difícil”, analisou Marquinhos. 'Adversário muito difícil' O lateral esquerdo português Nuno Mendes também destacou o bom desempenho da equipe brasileira, que não se intimidou em campo diante do favoritismo do PSG e das diferentes realidades financeiras entre os clubes dos dois continentes. “É dar os parabéns ao Flamengo. Foi um adversário muito difícil. Vieram aqui para jogar, para disputar o jogo. Foi um jogo muito bom, acho que para ambas as partes”, afirmou. “Infelizmente, eles não conseguiram ganhar, ganhamos nós, como nós queríamos. Foi um bom jogo da parte do Flamengo, estou muito contente por ter ganho. E também contente por eles, porque vieram aqui e demonstraram que são uma grande equipe”, disse Nuno. Do lado do Flamengo, o técnico Filipe Luís e os atletas não esconderam a frustração com a derrota, mas demonstraram orgulho pelo desempenho diante do PSG e pelas conquistas em 2025. Houve críticas à mudança feita pela Fifa no regulamento do Mundial, que foi renomeado pela entidade como Copa Intercontinental. Desde o ano passado, o time da América do Sul precisa disputar antes quartas de final e semifinal, enquanto o representante da Europa entra direto na final. Embate decisivo no fim da temporada Com isso, o atacante Bruno Henrique citou o desgaste físico dos flamenguistas, após uma temporada com calendário apertado, e fez uma comparação com o momento atual do PSG. “A gente chega hoje a 76 jogos, e é claro que isso muda um pouco a forma física da gente, porque enfrentar um time europeu já é difícil, e em final de temporada, é mais ainda. O europeu, no Mundial passado – no meio do ano, nos Estados Unidos – reclamou que eles estavam em fim de temporada, e o Flamengo agora chega no final de temporada”, explicou. “Mas chega jogando, propondo jogo. A gente foi superbem hoje. Então, é só enaltecer a temporada que fizemos, temporada de muita entrega, muita dedicação, e hoje a gente também teve muita entrega no jogo. Parabéns para nós por essa temporada”, afirmou. O herói da conquista do Paris Saint-Germain foi o goleiro russo Safonov, que defendeu quatro pênaltis. Ele foi mantido como titular pelo terceiro jogo seguido, mesmo após Chevalier voltar de lesão. Na cobrança decisiva, Safonov pegou o chute de Luiz Araújo, além de Saúl, Pedro e Léo Pereira antes. Vitinha e Nuno Mendes converteram para o novo campeão mundial. No tempo regulamentar, Kvaratskhelia abriu o placar, e Jorginho empatou de pênalti. O português Vitinha, que mais uma vez teve ótima atuação, foi eleito o melhor jogador da final no Catar. A Copa Intercontinental foi o sexto título do Paris nesta temporada histórica, depois de vencer a Liga dos Campeões da Europa, o Campeonato Francês, a Copa da França, a Supercopa da Europa e a Supercopa da França. O time ainda foi vice-campeão da nova Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos. O...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    5 Min.
  • Torcida rubro-negra em Paris confia na vitória do Flamengo sobre o PSG no Intercontinental: 'Vai ser lindo'
    Dec 17 2025
    O Flamengo enfrenta o PSG nesta quarta-feira (17), em Al Rayyan, no Catar, na disputa pelo título da Copa Intercontinental 2025. Além da imensa torcida de mais de 45 milhões de rubro-negros no Brasil, o clube contará com um grupo de torcedores em Paris, casa da equipe adversária — incluindo um francês apaixonado pelo time carioca. Confiantes na vitória, eles esperam pintar a Torre Eiffel e o mundo de vermelho e preto. Renan Tolentino, da RFI em Paris “A gente vai com tudo, o Flamengo tem tudo para ser campeão. Não será surpresa se levarmos esse título e comemorarmos dentro de Paris. Vai ser a coisa mais linda”, projeta Cidel Cavalcante, um dos criadores da FlaParis. Consulado oficial de torcedores do Flamengo na França, a FlaParis é pé-quente. Foi fundada há seis anos, quando o clube carioca iniciou a atual era de conquistas históricas, que já soma 19 troféus. “Começou em 2019, naquele ano mágico, após o time viver um jejum de títulos expressivos. Nessa época, eu me mudei para Paris e fui buscar outros rubro-negros como eu aqui. Tive a sorte de achar um francês apaixonado pelo Flamengo, não só pelo Flamengo, mas pelo futebol brasileiro também. Daí em diante, a gente reúne os torcedores rubro-negros que estão aqui em Paris para ver os jogos”, conta Cidel. Naquela temporada de 2019, o time carioca venceu a Copa Libertadores da América e o Brasileirão. De lá para cá, acostumou-se a empilhar troféus. Em 2025, repetiu os mesmos feitos de seis anos atrás, conquistando seu nono campeonato nacional e sua quarta Libertadores, tornando-se o clube brasileiro com mais títulos na competição. Agora, o desafio é ser campeão mundial pela segunda vez na história — um feito que esta geração de torcedores sonha ver. Como o carioca Danilo Fernandes, que vive na França desde 2019 e é um dos diretores da FlaParis. “É a realização de um sonho e a gente, como torcedor, está podendo participar disso. Para nós aqui, vai ser uma sensação diferente, por estar morando em Paris e ver o Flamengo enfrentar o time da cidade. Vamos ver o que vai dar... Mas estamos bem esperançosos”, diz Danilo. Caminho para o bi mundial Para conquistar o bicampeonato mundial, o Rubro-Negro precisa superar o poderoso PSG, campeão da Liga dos Campeões neste ano e que conta com o francês Dembélé, vencedor da Bola de Ouro 2025. Para chegar à decisão do Intercontinental, o clube carioca passou por duas etapas: primeiro, superou o Cruz Azul, do México, no Dérbi das Américas; depois, venceu o Pyramids, do Egito, pela Copa Challenger, que no formato atual equivale à semifinal da competição. “Acho que o Flamengo vai para cima. É uma partida difícil, o jogo do ano. Vamos enfrentar um time ótimo, campeão da Champions League, que vem tendo um bom desempenho neste ano. Mas o Flamengo também trabalhou bastante para chegar até aqui. Então, a gente como torcedor acredita que dá para realizar esse sonho”, reflete Danilo. O confronto contra os franceses promete ser duríssimo. Apesar do histórico recente indicar certo desinteresse de clubes europeus pela competição, o jogo será no Catar, país dos proprietários do PSG — que não deve querer fazer feio diante dos donos. Os torcedores rubro-negros em Paris reconhecem o cenário difícil e as qualidades do adversário, mas isso não abala a confiança e o otimismo deles. “O time tem que manter a defesa alta, fazer aquela marcação-pressão e arriscar, entrar com garra, força de vontade e disposição para sair com a vitória”, analisa Danilo. Na final da Libertadores 2025, em 29 de novembro, a FlaParis mobilizou centenas de torcedores em um restaurante no norte da capital francesa. Na ocasião, os rubro-negros celebraram o Tetra do Flamengo na competição, com a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras. “Foi uma loucura, mais de 600 rubro-negros reunidos para torcer na decisão da Libertadores. Foi uma festa fantástica, que vai se prolongar até a final dessa jornada no Mundial. Tem tudo para ser uma grande festa”, comenta Cidel. "Allez, Flamengô!" Entre esses rubro-negros está o francês Marcelin Chamoin, de 33 anos. Apaixonado pelo Flamengo e pelo futebol brasileiro, ele já transformou esse amor em um livro de crônicas sobre o clube carioca. “Minha primeira lembrança relacionada ao futebol é da Copa do Mundo de 1998, quando a França ganhou do Brasil na final. Mas, apesar de eu ser francês, no Brasil tinha o Ronaldo, então me apaixonei pela seleção brasileira. Depois, comecei a torcer pelo Flamengo, por conta da torcida imensa e do amor único que os flamenguistas têm pelo time. Meu primeiro ídolo nessa época foi o Obina. Depois, foi um sentimento que só cresceu”, recorda. Marcelin admite que tem uma admiração pelo PSG, mas confirma que seu clube de coração é mesmo o Rubro-Negro da Gávea. Ele garante que, na final, não vai ficar dividido. “Na França, eu torço pelo PSG, por morar ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    7 Min.
  • Brasil e Itália enfrentam desafios comuns no combate à violência contra mulheres
    Dec 13 2025
    A violência contra as mulheres permanece um dos mais persistentes e alarmantes problemas sociais em diferentes partes do mundo. No Brasil e na Itália, apesar das distâncias geográficas e das diferenças culturais, a realidade apresenta semelhanças preocupantes: números elevados, casos de grande repercussão pública e um sentimento coletivo de urgência na busca por soluções eficazes e proteção das vítimas. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A Associação de Amizade Itália-Brasil (AAIB) promoveu em Roma, na quinta-feira (11), o debate “Combate à Violência contra a Mulher e Proteção às Vítimas de Crimes”. A iniciativa, presidida pelo deputado italiano Fabio Porta, do Partido Democrático (centro-esquerda), ocorreu na Biblioteca do Senado, no centro da capital italiana, durante a visita a Roma da delegação de mulheres brasileiras que compõe o Fórum Internacional sobre os Direitos das Vítimas (Intervid), em turnê institucional europeia. “Nós trouxemos do Brasil representantes políticas e empresárias que estão à frente das políticas públicas para as mulheres do Brasil. Promovemos o intercâmbio para criar essa ponte e, com debates, avaliar a possibilidade de mudar a legislação brasileira inspirada na legislação italiana, e vice-versa", conta Iara Bartira da Silva, secretária-geral da AAIB, à RFI. A iniciativa começou há quatro anos. “É importante, no mundo globalizado, que a troca de experiência em nível europeu e internacional seja valorizada e estimulada, porque o legislador precisa se confrontar e encontrar soluções legislativas e na área da prevenção”, salientou o deputado Porta. Legislação sobre o feminicídio e o consentimento “Na Itália, aprovamos a nova lei que aumenta as penas contra o feminicídio. Aprovamos também na Câmara dos Deputados o projeto de lei sobre o consentimento, que prevê a permissão, por parte do parceiro ou da parceira, de um ato sexual, que nunca pode ser feito sem o consentimento”, destaca o deputado. A lei sobre o consentimento “livre e efetivo”, sem o qual ocorre a violência sexual, não será aprovada antes de fevereiro de 2026. O projeto de lei, já aprovado por unanimidade em 19 de novembro pela Câmara dos Deputados – em parte graças a um pacto político entre governo e oposição –, foi retido na Comissão de Justiça do Senado, onde estava previsto para ser votado em 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Alguns membros do partido de extrema direita Liga, incluindo o líder, vice-premiê e ministro italiano dos Transportes, Matteo Salvini, apontaram “questões críticas” no texto do projeto de lei, que reformaria o Código Penal. O partido recomenda um estudo mais aprofundado antes da aprovação. Há duas semanas, o Parlamento italiano aprovou a lei que tipifica feminicídio e endurece penas para crimes de gênero, prevendo até prisão perpétua para os criminosos. Dados do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat) mostram que, dos 327 homicídios registrados em 2024, 116 vítimas eram mulheres e meninas. Em 92,2% dos casos, os autores eram homens. Segundo as estatísticas, a cada três dias, uma mulher é assassinada na Itália. O feminicídio é a ponta do iceberg da violência contra a mulher e representa o desfecho mais extremo do problema. Leia tambémFeminicídios crescem 11% na França e entidades acusam Macron de abandonar a causa Mulheres brasileiras pedem ajuda Segundo o cônsul do Brasil na Itália, Luiz César Gasser, diariamente mulheres brasileiras pedem apoio ao consulado por causa da violência. Na área de competência do consulado em Roma, vivem entre 50 mil e 60 mil brasileiros, dos quais 70% são mulheres. "Muitas mulheres que procuram o consulado nos reportam casos de violência. Frequentemente lidamos com estas questões e pedidos de ajuda", indicou o cônsul. "Prestamos apoio com uma consultoria psicológica, mas também uma consultoria jurídica, orientando as mulheres a buscar o suporte da própria autoridade italiana. Precisamos trabalhar em conjunto com as autoridades locais", ressaltou. No Brasil, a Lei do Feminicídio entrou em vigor em 2015. No ano passado, as penas para o crime aumentaram para até 40 anos de reclusão. No entanto, o número de vítimas no país cresce. De acordo com o Mapa da Segurança Pública de 2025, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. O número de feminicídios aumentou 0,69% em relação a 2023. Ao todo, foram 1.459 vítimas em 2024, contra 1.449 em 2023. O Brasil conta com uma ampla legislação de proteção à mulher. A mais conhecida é a Lei Maria da Penha, que previne e combate a violência doméstica e familiar e prevê medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor, proibição de contato e suporte psicossocial para a vítima. Vítima humilhada No entanto, muitas vítimas não denunciam os agressores porque temem ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    8 Min.
  • Após mergulho cultural no Brasil, banda francesa Sapocaya grava álbum inspirado nos quatro elementos
    Dec 6 2025
    O álbum "Elementos" da banda de jazz Sapocaya é um projeto conceitual mais ambicioso que o EP de estreia do grupo lançado no ano passado. Desta vez, os jovens músicos persistem na temática da natureza, mas ampliam o repertório com a introdução de novas influências, instrumentos, sons eletrônicos e arranjos inéditos com a participação de cantores. "Elementos" foi divulgado no dia 28 de novembro e o show de lançamento está marcado para a próxima terça-feira (9), na casa de shows New Morning, em Paris. O novo álbum da banda reflete o trabalho que começou há cerca de um ano e evoca os quatro elementos da natureza: terra, ar, fogo e água. A ideia dos jovens é surpreender, tanto no que diz respeito ao conceito do projeto quanto às composições, como disse à RFI o fundador da banda Jamayê Viveiros, flautista e trompetista. “O álbum traz muita coisa, é um projeto bem maior. O primeiro EP tinha seis títulos, nesse já são 12. A concepção do álbum foi realmente fazer transições, com três músicas por elemento, já que o álbum é ‘Elementos’. Cada elemento vai crescendo”, explica o músico, que destacou que o elemento ar, por exemplo, é apresentado nas composições "Brisa", "Vendaval" e "Furacão", o elemento ar se manifesta, enquanto a água é revelada em "Chuva", "Ribeirão" e "Enchente". O mesmo vale para o elemento terra, que abre o álbum gradativamente com "Raízes", passa pela "Floresta" e culmina em "Terremoto". Já o fogo é evocado pelas faixas "Brasa", "Chama" e "Incêndio". Intercâmbio musical França-Brasil Este novo trabalho é resultado de um intenso intercâmbio cultural e musical entre a França e o Brasil, que permitiu à banda gravar com renomados músicos brasileiros. Este novo trabalho é resultado de um intenso intercâmbio cultural e musical entre a França e o Brasil. As viagens permitiram à banda gravar com renomados músicos brasileiros e franceses, inspirados por um dos maiores nomes da música instrumental brasileira e reconhecido internacionalmente por sua genialidade e inovação sonora: Hermeto Pascoal. “A gente teve a sorte de gravar com Carlos Malta, multi-instrumentista brasileiro que tocou com Hermeto Pascoal durante muitos anos, com o Bernardo Aguiar, com o Frederico Heliodoro, e com os cantores Matu Miranda e Thais Motta, todos músicos excelentes que a gente conseguiu gravar lá no Brasil. Foi uma experiência mágica para a gente. Conseguimos gravar com amigos aqui na França e também com esses músicos incríveis no Brasil”, enfatiza Jamayê, destacando a presença de samba e ritmos afro-caribenhos nas novas músicas. Introdução de novas sonoridades Enquanto o trabalho anterior do grupo era fortemente influenciado por ritmos do Nordeste, ‘Elementos’ demonstra uma maior abertura musical, incorporando novos sons. O compositor e percussionista Tristan Boulanger, também fundador do Sapocaya, fala que se inspirou ainda em ritmos indígenas e usou referências de manifestações religiosas como o candomblé, após ter tido aulas de percussão com Luizinho Indiano (Aluísio Lúcio Ferreira) em Ilhéus, Bahia. “É essa mistura que representa nossa música. Essa terceira vez que fui ao Brasil foi diferente. Acho que dessa vez eu estava um pouco mais livre para falar com as pessoas. Eu falo um pouco português agora e foi a oportunidade também de gravar com músicos brasileiros no Brasil. É uma experiência incrível de trabalhar realmente com músicos dessa tradição”, diz Tristan. Uma das mais recentes integrantes do Sapocaya, Charlotte Isenmann foi ao Brasil — assim como a maioria dos demais músicos — para se aproximar dos ritmos que fundaram a banda. A flautista compartilhou os detalhes do que mais a inspirou após voltar do Brasil. “Para mim, foi especialmente um concerto do Hermeto Pascoal que ouvimos e que me inspirou para a música, porque, através de elementos super primários como a água, flautas de bambu e brinquedos, ele conseguia transmitir uma energia muito grande, além de expressividade e muita emoção. Eu sentia essa energia até mesmo no público. É verdade que isso me inspirou bastante ao retornar, depois de ter encontrado todos esses músicos, ouvido essa música, porque foi realmente algo novo e intenso”, revela Charlotte. Vozes no álbum ‘Elementos’ Os jovens inicialmente não tinham intenção de usar vozes no repertório do grupo, mas os rumos mudaram após conhecerem Matu Miranda, cantor de MPB que se apresentou em Paris em 2024. Juntos gravaram o single ‘Avante’, que não faz parte do novo álbum, mas rendeu uma segunda colaboração na composição da faixa ‘Brisa’ em ‘Elementos’. Já a cantora Thais Motta participou em ‘Ribeirão’, uma mistura inédita para a banda de jazz, com o uso de pandeiro e voz em uma composição pela primeira vez. Além do show de lançamento de ‘Elementos’ na casa de shows New Morning, no ...
    Mehr anzeigen Weniger anzeigen
    11 Min.