A Gávea Galerie, criada pelo brasileiro Luiz Machado – radicado há três décadas na França –, acaba de abrir as portas no Village Suisse, endereço tradicional do 15º distrito e a poucos minutos da Torre Eiffel. A inauguração ocorre em um momento estratégico: ‘Paris voltou a ser o centro da arte mundial, sobretudo da arte contemporânea’, afirma Machado, apontando a força das grandes fundações e o enfraquecimento do mercado londrino.
Adriana Moysés, da RFI em Paris
A proposta da Gávea Galerie é trabalhar com nomes brasileiros de primeiro plano. “Começamos com três artistas e o quarto já está a caminho”, explica Machado. Entre eles, o carioca Gonçalo Ivo, “o grande colorista brasileiro atualmente, um dos melhores do Brasil”, com quem o galerista mantém uma relação de afinidade há mais de duas décadas. Também integra o time Jaildo Marinho, escultor pernambucano radicado em Paris, “um dos grandes artistas brasileiros que trabalha com mármore de forma maravilhosa”. A terceira é Lilian Morais, artista baiana que Machado traz pela primeira vez à Europa: “Espero que vá fazer sucesso, porque é uma artista de muito talento”.
Segundo Machado, o público francês demonstra curiosidade e receptividade pela arte brasileira. “O interesse existe e é muito forte. Quando você diz que vai representar artistas brasileiros, as pessoas se interessam. O Brasil é sempre bem-vindo na França”, afirma. Para ele, cabe aos galeristas desenvolver esse potencial e ampliar o intercâmbio cultural entre o Brasil e a Europa.
O charme do Village Suisse Instalar-se no Village Suisse tem um peso simbólico. “É um lugar ‘vintage’ de Paris, consagrado às galerias de arte e antiquários, com mais de 60 galeristas próximos à Unesco e à Torre Eiffel”, descreve Machado. Criado em 1928, o local mantém sua aura sofisticada e, nos últimos anos, passou a atrair galerias de arte contemporânea: “Nós somos a oitava ou nona galeria contemporânea no espaço, que tem tudo a ver com esse projeto. Vai dar samba”, brinca o fundador.
A Gávea pretende dialogar tanto com colecionadores experientes quanto com quem deseja iniciar sua coleção. “O colecionador começa em algum momento, então é importante ter artistas novos para acompanhar esse público, ao mesmo tempo que buscamos inserir nossos artistas em grandes coleções”, explica Machado. Sua experiência no setor começou em 2011, com colaborações para a Galeria Boulakia, próxima da Avenue Montaigne. “A arte já estava na minha cabeça há muito tempo, sempre fui apaixonado. Com essa colaboração, apresentei clientes a eles, artistas, algumas galerias no Brasil e fui aprendendo aos poucos como funciona esse mercado”, conta Machado.
Paris no topo do mercado internacional Para Machado, a capital francesa vive um momento único. “Dá para perceber que Paris voltou a ser a bola da vez da arte mundial, sobretudo da arte contemporânea, com as fundações Louis Vuitton e Cartier. Dá para perceber isso nas feiras e exposições temporárias, sempre lotadas, com público internacional muito grande”.
A Gávea Galeria funciona de quarta a segunda-feira, das 11h às 19h, no Village Suisse, boutique nº 20. Em 2028, o espaço celebrará o centenário do Village Suisse, reforçando a tradição do conjunto no coração artístico de Paris.