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RFI Convida

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Von: RFI Brasil
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Über diesen Titel

Entrevistas diárias com pessoas de todas as áreas. Artistas, cientistas, professores, economistas, analistas ou personalidades políticas que vivem na França ou estão de passagem por aqui, são convidadas para falar sobre seus projetos e realizações. A conversa é filmada e o vídeo pode ser visto no nosso site.France Médias Monde Sozialwissenschaften
  • 'Eldorado': Marcello Quintanilha lança thriller social ambientado na classe trabalhadora dos anos 50
    Jan 21 2026
    O quadrinista e escritor brasileiro Marcello Quintanilha lança na Europa seu novo álbum, “Eldorado”, publicado em francês pela editora belga Le Lombard. A obra retoma a trajetória do pai, Hélcio Carneiro Quintanilha, ex-jogador profissional de futebol em Niterói, tema que o autor já havia explorado em livros anteriores. “Eldorado” é um thriller neorrealista ambientado no Brasil entre as décadas de 1950 e 1970. A narrativa acompanha uma família modesta de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: o caçula, Hélcio, sonha em seguir carreira no futebol, enquanto o irmão mais velho, Luiz Alberto, inicia um percurso de delinquência. O livro transforma essas vidas em um drama policial, familiar e político que entrelaça ficção e memória para retratar um país que se desenvolve marcado por extrema desigualdade. O álbum começa com uma sequência em preto e branco na qual Quintanilha reconstrói a formação da sociedade brasileira logo após o fim da escravidão, em 1888, e a Proclamação da República, no ano seguinte. O autor mostra como os africanos e seus descendentes, a força de trabalho que sustentou a economia agrária por séculos no Brasil, foram abandonados pelo novo Estado republicano, que, no início do século XX, optou por substituí-los por imigrantes europeus numa política deliberada de branqueamento. Com a industrialização tardia, em parte financiada pelo capital inglês, o futebol é introduzido no país – primeiro como esporte de ricos, depois apropriado pelas classes populares, sobretudo pela população negra e pobre. Esse movimento, considerado "revolucionário" por Quintanilha, transformou o futebol em expressão social e cultural, e em um dos eixos da identidade brasileira. Para Quintanilha, vencedor do troféu Fauve d’Or no Festival de Quadrinhos de Angoulême (2022) com o álbum “Escuta, Formosa Márcia”, revisitar esse percurso é essencial: “Para mim é sempre importante ter a perspectiva do passado, quais são os pontos que nos ligam com o passado, que têm efeito na nossa vida na atualidade.” Os personagens Hélcio e Luiz Alberto representam dois caminhos possíveis num Brasil desigual: o sonho do futebol e o desvio para a criminalidade. O autor conta que se inspirou na fábula do filho pródigo. “Seria um pouco como recriar essa fábula no seio da classe trabalhadora.” Segundo Quintanilha, Hélcio reproduz a história que trata do pai do escritor, fortemente ancorada na realidade, enquanto a do irmão é ficcional. “Toda a trama policial que a história tem, tudo isso é ficção. Mas espelhada no que foi a realidade do meu pai, o que acho fascinante.” Duque de Caxias imaginária O cenário é ambientado em Duque de Caxias, onde o pai de Quintanilha morou antes de se mudar com a família para Niterói, mas a cidade foi deliberadamente recriada pelo autor. A imagem nasceu das histórias ouvidas na infância. “Enquanto eu cresci, muitas vezes eu ouvia o meu pai contar as histórias do que ele via na cidade de Duque de Caxias, então eu criei uma Duque de Caxias imaginária na minha cabeça.” Sobre a linguagem visual, “Eldorado” traz um grafismo diferente dos livros anteriores. “A história determina a maneira como ela vai ser contada”, explica. A cada livro, ele busca técnicas e decupagens novas. “Cada novo livro é começar exatamente do zero, absolutamente do zero, o que me coloca sempre numa posição de estar sempre pisando em ovos, porque eu nunca sei exatamente qual é o terreno no qual estou me movendo.” E o desconforto vira potência. “O que, do ponto de vista artístico, eu acho muito instigante, porque te coloca numa posição de desconforto que pode ser muito interessante.” Acolhimento do público "Eldorado" é o romance gráfico mais longo do autor (272 páginas), publicado primeiro em francês, com tradução ainda por definir. O livro estará disponível nas livrarias em 30 de janeiro, com distribuição inicial na Bélgica, França, Suíça e no Canadá. Vivendo em Barcelona há vários anos, quando Quintanilha fala do interesse do público europeu pela sua obra, ele descreve uma relação intensa e acolhedora, em consonância com o Brasil. “Eu acho magnífico. Eu sinto exatamente a mesma coisa que eu sinto no Brasil”, afirma. “Eu acho o público sempre muito aberto, sempre muito interessado nas coisas que eu escrevo.” Mesmo quando escreve para leitores de fora, Quintanilha afirma que suas histórias permanecem ancoradas no Brasil – e que isso não impede a conexão. “Todas as minhas histórias estão baseadas na experiência que eu tenho no Brasil, na vida que eu conheci no Brasil, na cultura brasileira, todas as minhas referências vêm do Brasil, a maneira como eu concebo as personagens, a maneira como eu concebo a história (...) todas as dinâmicas fazem referência à cultura brasileira e à maneira como a ficção brasileira foi sendo desenvolvida no século XX.” O alcance ...
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    12 Min.
  • Um ano de intimidação estratégica: como Donald Trump redefiniu a política externa dos EUA
    Jan 19 2026
    Nesta terça-feira (20) faz um ano que o presidente norte-americano, Donald Trump, retornou à Casa Branca, e as piores previsões sobre a virulência do republicano se confirmam. Em 12 meses, ele redesenhou a política externa dos Estados Unidos com o retorno do uso explícito da força, o resgate de práticas intervencionistas e uma estratégia de intimidação permanente – inclusive contra aliados. Em entrevista à RFI, o professor Antonio Jorge Ramalho da Rocha, do Instituto de Relações Internacionais (IREL) da UnB, analisa esse primeiro ano do segundo mandato de Trump e afirma que há método por trás do caos. O método da desestabilização é, segundo o especialista da Universidade de Brasília, a chave para compreender o comportamento de Trump. “Sim, há um método nesse processo e a lógica é de desestabilização”, resume Antonio Jorge Ramalho. O objetivo é manter todos – governos estrangeiros, atores econômicos e até aliados – “sempre na defensiva e divididos”, o que inviabiliza qualquer articulação consistente para conter os movimentos do governo americano. Não se trata de uma estratégia de longa duração, afirma: “Não há uma visão de mundo por trás disso. É um processo de atuação tático”. O bombardeio contínuo de fatos e informações constitui a engrenagem central dessa tática. “Trump cria uma grande quantidade de informações, de fatos, de possibilidades, que obriga as pessoas a pararem tudo o que estão fazendo para reagir.” Nesse processo de saturação, ele consegue impor sua agenda de curto prazo. “Pode ser desde fechar um negócio para a família, conseguir um presente milionário, movimentar os mercados – anuncia uma coisa de manhã e as ações caem; à tarde anuncia outra e elas sobem. Tudo isso permeado por ​​​​inside information”, afirma o professor, que descreve o método como “pressão permanente com objetivos discretos, transacionais e imediatos”. “Ele circula para quem lhe financiou a campanha ou por seus próprios braços no mercado financeiro, e faz dinheiro com isso.” Convicções profundas, mas sem estratégia de longo prazo O professor identifica, no entanto, dois pilares ideológicos que sustentam essas ações. O primeiro é a concepção de poder sem limites. “Ele tem a convicção de que o poder deve ser exercido sem freios e sem cerimônias”, afirma. Para Trump, a ampla capacidade militar, econômica e política dos Estados Unidos deve servir ao engrandecimento nacional – “mas não pelo país em si”. Trata-se de proteger e ampliar os interesses da parcela da sociedade “que dá as cartas”, e que sustenta politicamente o republicano. O segundo pilar é a crença nas tarifas como instrumento central de política externa, herança de um pensamento mercantilista anacrônico. “É uma visão do século 19 em curso no século 21”, diz Antonio Jorge Ramalho. A imposição de tarifas seria, na visão trumpista, uma forma de aquisição de riqueza e poder. Mas, apesar de fornecer ganhos imediatos, produzirá efeitos negativos. “Vai reduzir no longo prazo o comércio e a eficiência da economia americana e global.” Ainda assim, o curto prazo se impõe: “Ele consegue retornos palpáveis, e é isso que o orienta.” América Latina e a intervenção na Venezuela O sequestro do venezuelano Nicolás Maduro por militares americanos, nos primeiros dias do ano, surpreendeu o governo brasileiro e motivou questionamentos na opinião pública sobre a possibilidade de novas ações semelhantes no continente. Entretanto, o professor da UnB afirma que a própria impossibilidade de prever os próximos passos é parte essencial da tática trumpista. “Não dá para saber, e não ficará claro, porque o método consiste justamente em alimentar a ambiguidade”, explica. A fragilidade da estratégia de defesa brasileira Antonio Jorge Ramalho é categórico ao afirmar que a Estratégia Nacional de Defesa do Brasil não está ajustada ao novo cenário regional. “A nossa estratégia precisa ser revista.” O principal problema é a dependência estrutural das Forças Armadas brasileiras em relação aos Estados Unidos. “Há uma dependência visceral. A doutrina, os equipamentos, a formação – tudo é baseado no padrão OTAN.” Essa dependência cria um impasse. “Se houver alguma grande confusão global, na mente dos estrategistas militares brasileiros, nós estaríamos juntos aos Estados Unidos, como estivemos na Segunda Guerra Mundial. Seria uma nova etapa, digamos, de uma cooperação e de uma relação de confiança. Pois bem, essa relação de confiança não existe mais ou não deve existir mais do ponto de vista dos militares brasileiros. Mas é muito difícil você mudar a mentalidade deles", afirma o analista em defesa. Além disso, os militares brasileiros continuam orientados por uma doutrina voltada para um inimigo interno inexistente, o que limita a preparação para ameaças ...
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    11 Min.
  • Brasil precisa de uma política industrial para se adaptar a acordo UE-Mercosul, diz professora
    Jan 16 2026
    Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deverá ser assinado oficialmente neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, e depois será ratificado pelo Parlamento Europeu. Aprovado por 21 dos 27 países do bloco europeu no dia 9 de janeiro, o tratado prevê a criação de um mercado comum de mais de 720 milhões de pessoas. Para entender melhor o impacto dessa medida, a RFI conversou com Cristina Helena Pinto de Mello, professora de Economia da graduação e do mestrado da PUC-SP. RFI: Até agora, falou-se muito sobre as repercussões do acordo no setor agrícola, mas durante as negociações o Brasil lutou para defender a indústria brasileira da concorrência europeia. Esse tratado traz oportunidades para a indústria brasileira? Cristina Helena: Sem um projeto industrial claro, esse acordo corre o risco de consolidar algumas das especializações já existentes. Falta ao Brasil uma agenda positiva para a área de indústrias e de serviços. Essa é uma fragilidade peculiar do caso brasileiro e da América Latina. Alguns países têm estratégias um pouco mais definidas, como o Paraguai e a Argentina, mas o Brasil seguramente não tem. Esse acordo deve trazer muito aprendizado para o Mercosul. Por exemplo, a Alemanha tem uma indústria muito forte de máquinas e equipamentos, e o acordo tende a consolidar ainda mais esse setor alemão. Ao mesmo tempo, pode reduzir o espaço das indústrias brasileiras do mesmo segmento. O ideal seria que, numa perspectiva multilateral, construíssemos cadeias produtivas integradas. Mas falta ao Brasil uma agenda doméstica e um plano consistente de reindustrialização. Entramos, portanto, de forma frágil nesse processo. RFI: As pequenas e médias empresas brasileiras estão preparadas para concorrer no mercado europeu? Cristina Helena: Seguramente não. Tampouco estão preparadas para identificar oportunidades de integração em cadeias produtivas com indústrias europeias. Os países europeus construíram, por meio de acordos complexos, um mercado altamente integrado. Mas isso ainda é um campo de aprendizado para o Mercosul. Os países do bloco precisam aprender a lidar com esse tipo de custo político em nome de um projeto de longo prazo. RFI: Alguns pontos em que o Brasil poderia se beneficiar são a transição energética e o agronegócio sustentável. A senhora acha que o país está preparado? Cristina Helena: Sim. O Brasil vem há bastante tempo trabalhando sua agropecuária com critérios e padrões internacionais. A agricultura brasileira é competitiva, produtiva e profissionalizada. Além disso, o país tem uma capacidade de produção de energia limpa inigualável. RFI: O acordo entre a União Europeia e o Mercosul cria previsibilidade para investimentos no atual ambiente de retorno do protecionismo e de instabilidade geopolítica? Cristina Helena: Acredito que sim. Ele abre espaços importantes de previsibilidade em relação aos acordos tarifários e de integração de mercado. Essa previsibilidade e essa segurança estão se perdendo no cenário global, especialmente em razão da atuação do presidente norte-americano, Donald Trump, que costuma ser bastante intempestivo em suas decisões. A União Europeia, ao contrário, tem uma governança sólida e uma estrutura política de construção de acordos que não é intempestiva. Isso confere maior estabilidade a acordos firmados com o bloco europeu. RFI: Maior integração comercial favorece protagonismo político? Cristina Helena: Diria que sim. O Brasil, sobretudo nos últimos anos, vem se colocando como uma voz importante na América Latina em defesa da democracia. Também é um ator político relevante internacionalmente, já que fala a partir de um espaço regional significativo, com projeção global. Isso é oportuno porque nos coloca numa posição que evita alinhar-se automaticamente às rivalidades entre Estados Unidos e China. RFI: Como a senhora avalia a resistência da França ao acordo UE-Mercosul? Os agricultores estão preocupados, mas setores industriais, bancos, consultorias e empresas de energia franceses estão de olho no novo mercado. Cristina Helena: A França sempre foi cuidadosa. O multilateralismo, para o país, é uma questão comercial e também uma arquitetura política que permite preservar uma margem de manobra nacional. Vejo que a França tem sido muito cautelosa em atender aos seus interesses internos.
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    6 Min.
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