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Radar econômico

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Von: RFI Brasil
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Über diesen Titel

Entrevistas com economistas, analistas de mercado, investidores e políticos, para explicar e comentar questões econômicas internacionais. O papel do Brasil e dos países emergentes na economia mundial.

France Médias Monde
Politik & Regierungen
  • Quanto custaria para os EUA comprar a Groenlândia?
    Jan 21 2026
    Donald Trump não está brincando quando afirma querer comprar a Groenlândia, território autônomo sobre o qual a Dinamarca é soberana. O presidente americano parece determinado a tomar o controle do território no Ártico, e agora ameaça os países europeus que se opuserem aos seus planos com novas tarifas alfandegárias. Mas, afinal, quanto custaria comprar o país? Em seu primeiro mandato, o líder republicano já havia demonstrado a intenção de adquirir a maior ilha do mundo, alegando ameaças à segurança dos Estados Unidos. Agora, ele volta a tratar do assunto, com contornos de uma gigantesca transação imobiliária – numa tentativa de repetir a que foi feita em 1867, quando Washington comprou o Alasca da Rússia, por US$ 7,2 milhões na época. Há mais de 80 anos, a própria Groenlândia recusou uma primeira proposta dos americanos, no valor de US$ 100 milhões. O governo do território e sua população continuam a ressaltar que o país não está à venda. O montante sobre a mesa hoje atingiria facilmente a casa das dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, dada a valorização estimada dos recursos minerais estocados nos seus subsolos. A emissora NBC News, citando especialistas e ex-membros do governo federal americano, evocou a cifra de US$ 700 bilhões, sem especificar a metodologia utilizada. No New York Times, um ex-economista do Banco Central americano (Fed), considerou os valores já pagos pelo país para a aquisição de outros territórios e cruzou com os dados de inflação e crescimento econômico dos Estados Unidos e da Dinamarca. Conforme David Baker, a nova proposta situaria entre US$ 12 bilhões e US$ 77 bilhões. Mas outro cálculo bem mais modesto também estaria sendo considerado: oferecer dinheiro diretamente para os 57 mil habitantes da ilha, em troca de apoio político para a ideia da separação da Dinamarca e adesão aos Estados Unidos. Nesta hipótese, o valor dos recursos naturais da ilha tende a ser minimizado. De olho nas terras raras e minérios A Groenlândia abriga algumas das maiores reservas mundiais de terras raras e minerais críticos, essenciais para o setor da tecnologia. Para além das suas fronteiras, o subsolo do Ártico ainda concentra 30% das reservas de gás natural do planeta e 13% das de petróleo. “Tem hidrocarbonetos por todo o lado no Ártico. Mas até hoje, na Groenlândia, nunca se conseguiu encontrar uma reserva comercialmente explorável, ou seja, um lugar no gelo, na terra ou no mar onde os recursos estejam tão concentrados que valha a pena explorar”, frisa o pesquisador sênior da Universidade do Quebec Mikaa Blugeon-Mered, especialista no papel dos polos na transição energética, à RFI. “É por isso, e para conseguir financiar a própria independência total da Dinamarca, que a Groenlândia tem buscado desenvolver o setor mineral, de terras raras, urânio, molibdênio. Dos 50 metais críticos considerados prioritários pelo governo americano, 44 estariam presentes na Groenlândia em quantidades suficientemente satisfatórias para interessar os Estados Unidos.” A ambição americana de acessar esses recursos sequer é disfarçada: o embaixador nomeado pelos Estados Unidos na Dinamarca é ninguém menos do que Ken Howery, bilionário que fez fortuna na Silicon Valley. Entretanto, a exemplo da Venezuela e seu petróleo, os recursos naturais da Groenlândia são de difícil acesso: 80% do seu território é recoberto por uma espessa camada de gelo, necessitando investimentos colossais que levantam dúvidas sobre a viabilidade financeira da sua eventual exploração. Quantificar o valor real destes recursos é um cálculo complexo e, ainda assim, inexato. Não à toa, existem apenas duas minas em atividade na Groenlândia atualmente. China e 'freedom city' Neste aspecto, uma grande preocupação americana é conter a expansão da concorrência chinesa na região, salienta Mikaa Blugeon-Mered, autor de «Alors tu veux acheter le Groenland...” ("Então você quer comprar a Groenlândia?”, em tradução livre) “Quem está lá querendo comprar hidrocarbonetos e minerais do Ártico? Hoje, a principal compradora é a China. Ela tem um papel fundamental, porque tem tentado estabelecer posições estratégicas em toda esta região do Ártico, solicitando licenças, tentando comprar minas e assim por diante”, complementa o pesquisador. “Nos últimos 15 anos, eles têm tentado internalizar essa cadeia de valor, controlá-la desde a mina até o seu uso final, particularmente no que diz respeito aos elementos de terras raras, nos quais a China tem uma presença significativa na Groenlândia. Hoje, é precisamente isso que os Estados Unidos estão tentando neutralizar e se apropriar”, afirma. Outro aspecto que entra na conta dos americanos é o potencial da ilha como uma "freedom city". O conceito, elaborado pela ala libertária das tech e aliada de Trump, imagina paraísos fiscais com regulação mínima, ideais...
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    6 Min.
  • Em crise e com Trump, Fórum de Davos de 2026 tem edição desafiadora para o futuro do evento
    Jan 14 2026
    A edição deste ano do Fórum Econômico Mundial é decisiva para o futuro do evento, que reúne há 55 anos algumas das maiores empresas e líderes mundiais na pequena cidade suíça de Davos. Não apenas a instituição enfrenta uma crise interna, como o multilateralismo vive o momento de maior instabilidade desde a Segunda Guerra Mundial. O encontro começa na próxima segunda-feira (19), com foco no diálogo “em um mundo cada vez mais contestado”. Durante cinco dias, empresários, chefes de Estado e de Governo, além da sociedade civil, debaterão temas como novas fontes de crescimento econômico, o aumento da cooperação e a “busca da prosperidade respeitando os limites do planeta” – um contorcionismo de linguagem para não ferir os melindres do convidado mais aguardado este ano, Donald Trump. A última vez que o presidente dos Estados Unidos se deslocou para o evento foi em 2020, no último ano de seu primeiro mandato. Em 2025, de volta ao poder, ele fez um discurso por teleconferência, no qual prometeu o “maior corte de impostos da história dos EUA”, anunciou o fim do Green New Deal implementado por seu antecessor, Joe Biden, e sinalizou o início da guerra comercial que encamparia com o resto do mundo. Desta vez, a presença de Trump em Davos, acompanhado de nomes como o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, o secretário de Estado, Marco Rubio, e os enviados de Washington para as guerras na Ucrânia, sugerem que o presidente aposta alto no fórum de 2026. “Ele vai lá para falar verdades, que é o que ele sabe fazer. E isso é bom, porque o fórum se tornou um grande berço da hipocrisia internacional”, afirma Alberto Pfeifer, coordenador do grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP. “Ele deve repetir que este modelo de mundo, que fez sentido em um determinado momento da história, acabou e não é mais o que organiza o mundo”, complementa. Ao mesmo tempo, o presidente americano estará entre seus pares empresários e não deve desperdiçar a oportunidade de fazer negócios. “Ele sabe que são esses caras que movem o mundo, porque ele é um deles. Ele poderá restabelecer uma coalizão com os grandes empresários europeus e de outros países, que vão afluir lá, dizendo que ‘os Estados Unidos são o melhor país do mundo para investir, venham para os Estados Unidos’”, diz Pfeifer. Investigação e saída do fundador O encontro, que sempre foi uma ocasião para reunir a elite econômica do planeta, está cada vez mais marcado pela influência americana. Em agosto, Larry Fink, CEO da líder mundial de gestão de ativos BlackRock, assumiu a copresidência do fórum, ao lado do vice-presidente do laboratório suíço Roche. Os dois substituíram o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, que deixou a presidência em meio a uma investigação interna sobre a governança da instituição, incluindo uso indevido de recursos. Schwab foi absolvido das suspeitas de “irregularidades materiais”, mas não retomou o posto. O escândalo ocorre em um momento em que o evento já vinha perdendo eficácia como instrumento de regulação internacional, na avaliação do professor da USP. “O fórum cumpriu um papel relevante e de projeção em particular nos anos 1990 e 2000, quando ele poderia ser considerado uma ONU alternativa, paralela. Ele juntava o que a governança multilateral não conseguia e, assim, desenvolvia agendas comuns para toda a humanidade. Ele fez sentido naquele período, mas hoje não faz mais tanto”, explica. “Hoje, essa agenda perdeu tração e esse espaço de interlocução perdeu relevância, assim como o que acontece na ONU e na OMC, para definir os rumos dos investimentos privados e das políticas externas dos países.” Presença brasileira esvaziada Até o momento, o Brasil não informou sobre a presença de autoridades em Davos. Em 2025, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, representou o governo. O presidente Lula participou de todas as edições durante os seus primeiros dois mandatos, à exceção de 2009. Mas, desde que voltou ao poder, não retornou à cidade suíça. “Pela presença do Trump, seria importante o Brasil estar lá, por ser um espaço em que há certa informalidade, em que você pode ter conversas de corredor e de bastidores. Tendo a alta cúpula do governo americano lá, seria interessante ter algum representante do alto escalão do governo brasileiro”, observa Pfeifer. Pelo segundo ano consecutivo, um espaço de conferências e reuniões focadas no país será montado na Promenade, a principal avenida da cidade, que dá acesso ao evento oficial. A Brazil House é uma iniciativa de um grupo de grandes empresas – Gerdau, Vale, BTG Pactual, Randoncorp e BE8 – e dará ênfase à sustentabilidade.
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    9 Min.
  • Investida de Trump na Venezuela tende a impulsionar nova dinâmica de petróleo na América Latina
    Jan 7 2026
    A operação americana na Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro e assumir o controle das reservas de petróleo do país tende a impulsionar a dinâmica de ampliação da exploração de óleo e gás na América Latina. Brasil, Argentina, Guiana e Suriname avançam nesta direção, mas também Bolívia, Chile e Colômbia oferecem potenciais ainda pouco explorados. A Venezuela tem as maiores reservas mundiais de petróleo, com cerca de 17% do total. Entretanto, desde a estatização do setor no país e a saída das companhias americanas e britânicas na era chavista, a capacidade de produção nacional despencou para cerca de 800 mil barris por dia – muito abaixo de concorrentes de peso como Arábia Saudita, Rússia e os próprios Estados Unidos. O economista Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e experiente especialista no mercado internacional de petróleo, vê um cenário favorável para os países detentores de reservas na América Central e do Sul ingressarem com força na corrida não só pelo óleo, como também pelo gás. “Na Argentina, o governo de direita, do Milei, é alinhado a Trump. A Bolívia também recentemente teve uma eleição e a direita ganhou”, observa, ao lembrar que os investimentos e a produção de gás de La Paz também desmoronaram após a estatização dos campos pelo ex-presidente Evo Morales. “Você tem a Guiana, grande estrela de produção de óleo, cujos dois principais investidores são as americanas ExxonMobil e Chevron. Tem a Colômbia, onde haverá eleições este ano e parece que o favorito é o candidato da direita, assim como no Chile, onde a direita venceu.” No Brasil, o cenário eleitoral para 2026 aponta o presidente Lula como favorito à reeleição. O petista não esconde o apetite pela abertura de novas frentes de exploração de petróleo no país, que hoje é o sétimo maior produtor mundial. Petrobras sob pressão A volta dos americanos à Venezuela e de Caracas como protagonista do mercado mundial tende a estimular a competição internacional pela atuação na margem equatorial brasileira, colocando a Petrobras sob pressão. Em 2025, após 12 anos, a companhia recebeu autorização para iniciar os estudos de prospecção em um dos quase 300 blocos identificados na área, ao norte do Brasil. “Você vai ter empresas de petróleo que vão começar a se questionar: coloco dinheiro na Venezuela ou coloco na margem equatorial? Está sendo criado um concorrente para esses investimentos”, pontua Pires. O provável aumento da oferta mundial de petróleo levará à queda ainda maior do preço do barril, hoje negociado em torno de US$ 60. A diminuição do valor nos próximos dois anos já era antecipada pelos analistas, devido a uma oferta abundante e não acompanhada por aumento da demanda. A esperada alta da produção venezuelana acentua o fenômeno. Aumento das vendas para a China Mas, se por um lado as receitas das vendas vão cair, com impacto nas decisões de investimentos e fluxos de caixa, por outro a derrubada do regime de Nicolás Maduro cria uma oportunidade para a petroleira brasileira: aumentar as exportações para a China. Pequim é o destino de 80% do petróleo venezuelano, a custos inferiores aos do mercado. Adriano Pires ressalta que o Brasil está em curva ascendente de produção, passando dos menos de 4 milhões de barris por dia para uma expectativa de 5 milhões em 2027. “Além disso, as empresas chinesas de petróleo que compraram campos aqui no Brasil já produzem 350 mil barris por dia, então o Brasil é cada vez mais um país hiperimportante para a China, no sentido de abastecimento de petróleo”, afirma o economista. “Aí eu não sei como é que o Trump vai olhar para isso.” Para o especialista, o objetivo número 1 do presidente americano ao intervir na Venezuela foi barrar o acesso chinês ao petróleo do país e se tornar um player incontornável deste mercado. “O que ele quer, na realidade, é ter um controle maior sobre as reservas de petróleo mundiais, para poder dar um xeque-mate na China, que hoje é a segunda maior consumidora de petróleo no mundo, e ao mesmo tempo criar uma espécie de mini-OPEP para ele. Ele pode agora sentar à mesa e ser um player que define níveis de produção e automaticamente níveis de preço no mercado internacional de petróleo”, indica Pires. “No tabuleiro da geopolítica do petróleo, Trump passa a jogar com muito mais poder.”
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    6 Min.
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