25 | Eucanaã Ferraz
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O convidado deste episódio é o poeta Eucanaã Ferraz, em conversa com Alexandra Maia e Luiza Mussnich.
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Eucanaã Ferraz (Rio de Janeiro, 1961) é poeta, ensaísta e professor de literatura brasileira na UFRJ. Publicou Livro primeiro (edição independente, 1990), depois pela 7Letras veio Martelo (1997) e Desassombro (2002), vencedor do Prêmio Alphonsus de Guimaraens; e então lançou Cinemateca (2008), vencedor do Jabuti; Sentimental (2012), vencedor do Portugal Telecom de Poesia; Escuta (2015), Raio (2023) e Aramão (2026) - todos os últimos, pela Companhia das Letras. Também recebeu prêmios da FNLIJ por sua produção de livros infantis.
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Sob a luz feroz do teu rosto
Amar um leão usa-se pouco,
porque não pode afagá-lo
o nosso desejo de afagá-lo,
como tantas vezes cão ou gato
aceitam-nos a mão a deslizar
sobre seu pêlo;
amar um leão não se devia,
agora que já não somos divinos,
quando a flauta que tudo
encantaria, gentes animais
pedras, nós a quebramos contra
a ventania; amar
um leão é só distância: tê-lo ao lado,
não poder beijá-lo, o deserto
que habita em torno dele;
era mais certo amar um barco,
era mais fácil amar um cavalo;
amar um leão é não poder amá-lo;
e nada que façamos adoça
o que nele nos ameaça se
amar um leão nos acontece:
à visão de nosso coração
ofertado, tudo nele se eriça,
seu desprezo cresce;
amar um leão, se nos matasse;
se nos matasse o leão que amamos
seria a dor maior, mais que esperada:
presas patas fúria cravadas em nossa carne;
mas o leão, que amamos,
não nos mata.”